Brasil, México e Espanha anunciam maior apoio humanitário a Cuba em comunicado conjunto.
Os governos do Brasil, México e Espanha emitiram um comunicado neste sábado (18) comprometendo-se a “incrementar” a resposta humanitária à crise que assola Cuba. A declaração, divulgada após o fórum Mobilização Progressista Global em Barcelona, contou com a presença dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Claudia Sheinbaum e Pedro Sánchez, respectivamente.
Os líderes expressaram “enorme preocupação com a grave crise humanitária que afeta o povo cubano”. Eles apelaram pela adoção de medidas necessárias para aliviar a situação e pela prevenção de ações que possam agravar as condições de vida da população ou violar o Direito Internacional.
“Comprometemo-nos a incrementar de maneira coordenada nossa resposta humanitária, visando aliviar o sofrimento do povo cubano”, afirma o comunicado. A declaração, contudo, não menciona a repressão ou o desastre econômico atribuídos ao regime comunista cubano desde 1959. A informação é parte de um comunicado divulgado pelos governos envolvidos.
Reafirmando princípios internacionais e direitos humanos
No documento, os três governos reiteram a importância de respeitar, em todos os momentos, o **Direito Internacional**. Os princípios de integridade territorial, igualdade soberana e solução pacífica de controvérsias, consagrados na Carta das Nações Unidas, também foram destacados.
Os mandatários reafirmaram seu “compromisso inabalável com os direitos humanos, os valores democráticos e o multilateralismo”. Nesse sentido, clamam por um diálogo sincero e respeitoso, em conformidade com o Direito Internacional e os princípios da ONU.
O objetivo declarado é encontrar uma solução duradoura para a situação atual e garantir que o próprio povo cubano possa decidir seu futuro em plena liberdade, conforme informado no comunicado oficial.
Contexto de sanções e crise energética em Cuba
A declaração ocorre em um contexto de tensões internacionais e dificuldades econômicas em Cuba. No final de janeiro, o então presidente americano Donald Trump anunciou a aplicação de uma tarifa a países que exportassem petróleo para Cuba, alegando que a ilha convidava “adversários perigosos dos Estados Unidos” a instalar bases militares e de inteligência em seu território.
Essa medida levou países como o México a interromperem as exportações de petróleo para a ilha. Aliado ao veto americano a envios de petróleo venezuelano, essa situação agravou a crise energética em Cuba, resultando em apagões diários.
Em março, Trump permitiu entregas pontuais de petróleo russo, em uma tentativa de mitigar a crise energética. As ações americanas vêm sendo interpretadas como parte de uma estratégia mais ampla em relação à América Latina.
EUA intensificam planejamento militar para Cuba
Recentemente, o jornal USA Today informou que o Pentágono está intensificando o planejamento militar para uma possível operação em Cuba. Essa notícia surge em meio a declarações de Trump sobre a possibilidade de uma intervenção militar no país.
Trump tem afirmado que “Cuba será a próxima”, após ações militares dos Estados Unidos na Venezuela e no Irã. Ele declarou a jornalistas que “Cuba é uma nação em colapso” e que uma operação no país poderia ocorrer após a conclusão de ações no Irã.
A intensificação do planejamento militar americano adiciona uma camada de complexidade às relações internacionais e à situação interna de Cuba, que já enfrenta uma grave crise humanitária e econômica.