PF abre inquérito sigiloso para investigar entrada de cinco malas sem inspeção em voo com autoridades e dono de ‘bets’
A Polícia Federal (PF) instaurou um inquérito para apurar a entrada de cinco malas no Brasil sem passar por inspeção aduaneira. O caso ocorreu em um voo particular que trazia de volta o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-PB), e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), além do empresário Fernando Oliveira Lima, conhecido como “Fernandin OIG”, proprietário de plataformas de apostas online.
A investigação, que tramita em sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF) sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, busca determinar se houve facilitação de contrabando ou descaminho, além de prevaricação por parte de um auditor fiscal da Receita Federal. O episódio levanta questionamentos sobre a isenção de fiscalização para passageiros com foro privilegiado.
As informações foram reveladas pelo jornal Folha de S. Paulo, que teve acesso a um relatório da corporação. O caso aconteceu em 20 de abril de 2025, no Aeroporto Executivo Internacional Catarina, em São Roque (SP), após uma viagem à ilha caribenha de São Martinho. O relatório policial destaca a impossibilidade de descartar o envolvimento de passageiros com prerrogativa de foro.
Detalhes da Operação e Passageiros Envolvidos
Segundo as apurações da PF, um auditor fiscal da Receita Federal teria autorizado que o piloto da aeronave passasse com os volumes por fora do equipamento de raio-X, **sem qualquer tipo de inspeção aduaneira**. A aeronave em questão pertence ao empresário Fernando Oliveira Lima, proprietário de plataformas de apostas online, como o popular “jogo do tigrinho”, e que já foi alvo da CPI das Bets. A PF busca esclarecer se houve irregularidades na liberação das bagagens.
Posicionamentos e Próximos Passos da Investigação
O relatório policial ressalta que, embora não seja possível afirmar o conteúdo exato das malas ou a quem pertenciam, a situação exige investigação aprofundada. Além de Arthur Lira e Ciro Nogueira, o voo transportava os deputados Dr. Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL), totalizando 16 passageiros. À Folha de S. Paulo, Lira confirmou a viagem, mas assegurou ter cumprido todos os protocolos legais. O empresário e o piloto alegaram que os itens eram do comandante e que o desembarque seguiu as normas. Moraes determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre o caso em até 5 dias.
Contexto e Implicações da Investigação
A investigação sobre a entrada de malas sem inspeção em um voo que transportava figuras políticas de destaque e um empresário do ramo de apostas online pode ter implicações significativas. A PF apura crimes como **contrabando, descaminho e prevaricação**, focando na conduta do auditor fiscal e na possível facilitação indevida. A participação de autoridades com foro privilegiado torna o caso ainda mais complexo, exigindo a análise do STF.
A Importância da Fiscalização Aduaneira
O episódio reforça a importância da **fiscalização aduaneira rigorosa**, independentemente do status ou foro de passageiros. A possibilidade de que cinco malas tenham entrado no país sem a devida inspeção levanta preocupações sobre segurança e o cumprimento da lei. A PF busca garantir que **nenhuma irregularidade passe despercebida**, especialmente em situações que envolvem autoridades e empresários com histórico em investigações.