Senado se Fortalece Após Crise no STF e Pesquisas Indicam Mudanças em Estados-Chave
A recente rejeição da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Senado Federal é um marco que demonstra o crescente poder da Casa Alta na política brasileira. Este evento, ocorrido na última quarta-feira (29), lança luz sobre a importância estratégica das eleições para o Senado em 2024, que moldarão a dinâmica de poder no país a partir de 2027.
Com 54 das 81 cadeiras em disputa, a eleição deste ano oferece uma oportunidade única para a reconfiguração do cenário político. A oposição ao governo Lula (PT) demonstrou sua capacidade de articulação ao barrar Messias, fortalecendo a perspectiva de alcançar os dois terços necessários para barrar indicações futuras ao STF.
Nesse contexto, pesquisas divulgadas pela Genial/Quaest nos estados com maior eleitorado revelam um panorama de indefinições, mas com sinais claros de onde o pêndulo político pode se inclinar. Os levantamentos apontam para um equilíbrio geral, mas com tendências distintas em cada região, conforme informações divulgadas pela Genial/Quaest.
São Paulo e Minas Gerais: Disputas Acirradas e Vozes Críticas ao STF
Em São Paulo, ex-ministros de governos anteriores, como Simone Tebet (MDB), Mácio França (PSB) e Marina Silva (Rede), mostram bom desempenho nas pesquisas. Contudo, Guilherme Derrite (PP), com forte discurso crítico ao governo federal e ao STF, surge como um nome competitivo para uma das vagas paulistas.
Derrite classificou a rejeição de Messias como “uma grande derrota para o atual governo e uma grande vitória para o Brasil”, evidenciando o tom da disputa. Em Minas Gerais, a petista Marília Campos lidera em cenários favoráveis, enquanto a segunda vaga apresenta candidatos mais à direita, como Aécio Neves (PSDB) e Carlos Viana (PSD).
Carlos Viana, inclusive, tem sido uma voz proeminente contra o STF, especialmente após acusações de interferência em atividades da CPMI do INSS. Ele afirmou que a decisão do Senado é “uma forma de dizer que o Senado Federal tem que ser altivo e que o Supremo Tribunal Federal não manda em tudo e que a política precisa ser feita com equilíbrio entre os poderes”.
Rio de Janeiro e Paraná: Equilíbrio e Predominância da Direita
No Rio de Janeiro, a disputa pelo Senado está mais embolada, com Cláudio Castro (PL) e Benedita da Silva (PT) disputando a preferência do eleitorado, seguidos de perto por opositores do governo Lula, como Marcelo Crivella (Republicanos) e Felipe Curi (PL).
Já no Paraná, as pesquisas da Genial/Quaest indicam uma vantagem para candidatos de direita e opositores ao governo federal, como Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL). Alvaro Dias (MDB) também aparece como destaque, sendo um crítico mais discreto do STF.
Deltan Dallagnol celebrou a rejeição a Messias como “um acontecimento histórico que mostra a força da pressão popular e deixa um recado claro de que o Brasil não quer mais politicagem na Suprema Corte”. Em contrapartida, a ex-ministra Marina Silva considerou a rejeição uma “injustiça” e resultado de “um grande acordão entre a oposição bolsonarista e outros com objetivos eleitoreiros e pessoais”.
Rio Grande do Sul e Nordeste: Divisão e Resquícios da Força do PT
No Rio Grande do Sul, a disputa pelas duas vagas está dividida entre espectros políticos opostos, com Germano Rigotto (MDB) e Marcel Van Hattem (Novo) disputando espaço com Manuela D’Ávila (PSOL) e Paulo Pimenta (PT), todos empatados dentro da margem de erro, segundo a pesquisa Genial/Quaest.
O Nordeste, tradicional reduto do PT, demonstra resquícios da força do partido. Na Bahia, ex-governadores como Rui Costa e Jaques Wagner (PT) lideram a disputa, oferecendo tranquilidade ao governo Lula. No Ceará, o cenário é mais dividido, com Cid Gomes (PSB) enfrentando Capitão Wagner (União Brasil).
Em Pernambuco, Marília Arraes (PDT) surge como a mais citada, reforçando a importância da eleição para o Senado. “A rejeição de Messias ao STF nos ensina muito. O Senado não é detalhe. É onde se tomam as decisões mais importantes do país. Precisamos de um Senado que entenda o perigo que corre o Estado Democrático de Direito e alinhado com os interesses do povo brasileiro”, declarou Arraes.
Metodologia das Pesquisas Genial/Quaest
As pesquisas citadas foram realizadas pela Quaest para o Banco Genial S/A ou pelo próprio instituto, com margens de erro variando entre 2 e 3 pontos percentuais para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. Os levantamentos foram registrados no TSE com os respectivos números de identificação para cada estado e data de realização.