Rapper e pré-candidato: "Brasil vive ditadura da burguesia" e eleições são "farsa"

Rapper e pré-candidato: “Brasil vive ditadura da burguesia” e eleições são “farsa”

Resumo

Hertz Dias, rapper e professor de História, lança pré-candidatura à Presidência pelo PSTU com discurso radical.

O pré-candidato à Presidência da República pelo PSTU, Hertz Dias, conhecido também como rapper e professor de História, defende que o Brasil não vive uma democracia plena. Segundo ele, o país está sob uma “ditadura da burguesia e do capital”, onde as eleições servem apenas como um ritual para legitimar o que ele chama de “democracia dos ricos”.

Dias vê as eleições como uma “festa da democracia” apenas para uma elite, enquanto a maioria da população, os trabalhadores, apenas escolhe a cada dois anos quem serão seus “carrascos”. Sua campanha se autodenomina uma “tribuna política” com o objetivo de denunciar a “podridão do sistema”.

As declarações foram feitas em entrevistas e podcasts, onde o maranhense de 55 anos expõe sua visão de mundo, que mistura rap, questões raciais e marxismo revolucionário. Hertz Dias já disputou outros cargos, mas sempre com resultados modestos, reflexo do desempenho histórico do PSTU, que não possui representantes eleitos atualmente. As informações são de fonte do conteúdo 1.

PSTU usa eleições como “instrumento de agitação”

O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) utiliza as eleições não como um caminho para o poder, mas como um “instrumento de agitação” e defesa da revolução socialista. O partido, que recebe cerca de R$ 3,4 milhões do Fundo Eleitoral em 2024, também se beneficia financeiramente da sua existência formal no Tribunal Superior Eleitoral.

No entanto, o PSTU não tem acesso ao Fundo Partidário nem a tempo de propaganda em rádio e TV, por não atingir o desempenho mínimo exigido nas urnas. Essa dinâmica reforça a estratégia do partido de usar as campanhas eleitorais como plataforma para disseminar suas ideias.

Do rap à política: a trajetória de Hertz Dias

Hertz Dias, que se formou em História e fez mestrado em Educação, encontrou no rap uma forma de expressão e transformação. Sua trajetória pessoal, marcada pelo racismo que o levou a abandonar a escola na adolescência, foi influenciada pela música do Racionais MCs e pelas ideias de Malcolm X, aproximando-o do marxismo.

Nascido em São José de Ribamar, na região metropolitana de São Luís, Hertz Dias é um dos pioneiros do hip-hop local. Ele fundou o movimento Quilombo Urbano e é vocalista do grupo Gíria Vermelha, integrando a cultura urbana à sua militância política.

Propostas radicais: fim da propriedade privada e “economia planificada”

A visão de Hertz Dias sobre o racismo é que ele é intrínseco ao capitalismo, afirmando que “o capitalismo produz e reproduz cotidianamente o racismo”. Para ele, a libertação da população negra só ocorrerá com o fim da propriedade privada. Suas propostas incluem a estatização completa do sistema financeiro, a fusão de bancos sob controle estatal e a “expropriação sem indenização” de terras.

Ele propõe substituir a democracia representativa por “conselhos populares”, onde as decisões seriam tomadas diretamente pelos trabalhadores. Hertz Dias também critica duramente a direita, chamando-a de “chorume da política”, e ataca tanto o governo Lula, visto como gestor da “decadência do capitalismo”, quanto figuras como Guilherme Boulos e Anielle Franco, acusados de “transformismo político”.

Confronto total: crítica a Israel, China e “woke”

No cenário internacional, Hertz Dias defende a “destruição de Israel”, a qual chama de “Estado escorpião”. Ele apoia a resistência contra a “agressão imperialista da Rússia” na Ucrânia, mas recusa apoio ao governo Zelensky. A China também é vista como uma “perigosa potência imperialista”, apesar de os EUA serem considerados os “inimigos principais”.

O pré-candidato critica o conceito de “racismo estrutural”, considerando-o um “álibi” que desvia o foco da culpa da elite econômica. Para ele, “é impossível salvar o planeta tentando salvar o capitalismo. Tem que ser com revolução socialista”.

Empresas que saírem do Brasil deixarão maquinário como “reparação”

Hertz Dias explica que sua participação nas eleições visa contestar o processo eleitoral por dentro, denunciando-o como “desigual e antidemocrático”. Ele esclarece que seu alvo na proposta de acabar com a propriedade privada é o “grande capital internacional”, e não pequenos empresários.

Caso empresas decidam deixar o Brasil, Hertz Dias afirma que “todo o maquinário ficará em nosso país como forma de reparação” pela superexploração. Ele vê o Brasil preso entre o lulismo, que “quer continuar administrando essa decadência”, e a “extrema direita”, que busca “aprofundar a entrega de todas as nossas riquezas”. A esperança, segundo ele, está nos trabalhadores, mas é preciso superar o “excesso de traições” por parte de lideranças.

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