Jornalista desmente autoria de texto sobre militar e deputado e alerta para fraudes e censura
Um artigo assinado pelo jornalista, que circula intensamente em aplicativos de mensagem como o WhatsApp, está sendo falsamente atribuído a ele. O texto, intitulado “Quem é o General que intimidou Marcel Van Hatten e por que ele é protegido por generais e juízes”, levanta especulações sobre conexões políticas no meio militar.
O autor original, em um pronunciamento incomum feito em primeira pessoa, nega veementemente ter escrito o referido material. Ele expressa preocupação com o uso indevido de sua assinatura e alerta sobre os riscos dessas fraudes para o avanço da censura e a desinformação.
“Apesar da falsificação grosseira, esse texto vem circulando intensamente por WhatsApp, já tendo chegado a autoridades, jornalistas e ao público em geral. É um texto altamente comprometedor, com uma série de especulações sobre supostas conexões políticas do meio militar — tudo embalado como ‘revelação de bastidor’”, afirma o jornalista.
O perigo da fraude e do contrabando de reputação
O jornalista critica a utilização de expedientes “torpes” por parte de indivíduos que se dizem defensores de pautas morais, mas que recorrem a fraudes para disseminar suas teses. Ele ressalta que ninguém pode ser pior do que alguém que “contrabandeia reputação”, usando um nome respeitado para impulsionar mensagens duvidosas.
“Se você frauda a identidade de quem admira, você é capaz de tudo”, declara, enfatizando a gravidade de tais atos. Ele aproveita para reforçar que seu trabalho jornalístico não possui viés ideológico ou partidário, diferenciando-o do ativismo.
Mídia panfletária e a origem da censura
Na opinião do jornalista, a mídia panfletária, independentemente de sua coloração política, é uma das causas de muitos males na sociedade atual. Ele argumenta que esse tipo de comunicação instiga a censura, ao apresentar figuras ou mensagens de forma caricata, o que cria um pretexto para restrições disfarçadas de proteção à coletividade.
“O comunicador militante instiga o censor. Ele vê ali uma figura ou uma mensagem caricaturável aos olhos do público e consegue uma licença para o seu chicote ‘democrático’”, explica.
A responsabilidade no compartilhamento de informações
O jornalista também aponta o compartilhamento descuidado de textos falsos como um grave problema. Essa prática, segundo ele, reforça os argumentos daqueles que desejam estigmatizar redes sociais e aplicativos como ambientes “tóxicos” para, posteriormente, controlá-los. Ele reitera que checar informações antes de compartilhar não é um capricho, mas uma decisão entre responsabilidade e leviandade.
“Não escrevi sobre o assunto envolvendo a discussão entre um militar e um deputado no Congresso Nacional. Se o texto pirata chegou a você, peço que esclareça a quem o enviou. Pela simples razão de que, se qualquer autoria pode ser atribuída a mim (e a outros comunicadores, como tem acontecido), o original perde o valor que eventualmente tenha”, conclui.
Precedentes de fraudes e o apelo à responsabilidade
O jornalista menciona um caso anterior em que uma crônica sua sobre o tenista Novak Djokovic foi manipulada para se tornar uma exaltação a Jair Bolsonaro. Ele ressalta que esse tipo de fraude, mesmo que a intenção do falsificador fosse homenagear, não condiz com sua independência e distanciamento de bajulações a líderes políticos.
Para aqueles que acreditam que fraudar é justificável para combater um “mal maior”, o jornalista não tem o que dizer. No entanto, ele faz um apelo direto àqueles que repassam informações falsas por desatenção: “Só você pode nos salvar do mergulho definitivo na farsa. Seja responsável — antes que seja tarde.”