Governo Lula gastou R$ 2,5 bilhões com viagens em 2025, revela levantamento com destaque para gastos sigilosos e internacionais.
O governo do presidente Lula registrou gastos expressivos com viagens em 2025, totalizando R$ 2,5 bilhões. Deste montante, a maior parte foi direcionada a deslocamentos dentro do Brasil, que somaram R$ 1,8 bilhão. As viagens internacionais, por sua vez, custaram R$ 249 milhões aos cofres públicos.
Um ponto de atenção no levantamento são os R$ 418 milhões classificados como “informações protegidas por sigilo”. Nestes casos, detalhes sobre os viajantes ou os objetivos específicos não são divulgados, apenas o órgão solicitante, o órgão superior e o período do deslocamento.
Esses gastos sigilosos estão concentrados em órgãos de segurança, como a Polícia Federal, que responde por R$ 251 milhões em viagens não detalhadas, e a Polícia Rodoviária Federal, com R$ 120 milhões. O Ministério da Justiça e o Ministério da Defesa também aparecem com despesas sob sigilo. As informações foram divulgadas com base em dados compilados sobre os gastos do governo federal no ano passado.
Despesas sigilosas e órgãos envolvidos
A maior fatia dos gastos com viagens sigilosas está ligada à Polícia Federal, com R$ 251 milhões. A Polícia Rodoviária Federal contribui com mais R$ 120 milhões para essa categoria. O Ministério da Justiça registrou R$ 39,7 milhões em despesas sob sigilo, enquanto o Ministério da Defesa somou R$ 280 mil.
A natureza sigilosa dessas despesas impede a identificação dos passageiros e a especificação dos motivos das viagens, gerando questionamentos sobre a transparência dos gastos públicos. A justificativa para o sigilo, segundo o governo, baseia-se na Lei de Acesso à Informação (LAI).
Destinos internacionais e viagens de destaque
As viagens internacionais do governo Lula em 2025 totalizaram R$ 249 milhões. Entre os destinos mais caros e notórios estão Singapura, onde um almirante de esquadra gastou R$ 260 mil, sendo a maior parte em passagens, para participar de um evento internacional de defesa.
Outra viagem de destaque foi a de Pietro Sampaio Mendes, então presidente do Conselho de Administração da Petrobras, que esteve em Abu Dhabi e Riade para eventos e reuniões bilaterais, com um custo de R$ 246 mil, predominantemente em passagens aéreas.
Países como Paris (R$ 12,7 milhões em passagens), Genebra (R$ 11,2 milhões), Pequim (R$ 7,7 milhões) e Washington (R$ 7,9 milhões) foram alguns dos principais destinos internacionais do governo federal, embora a divisão exata dos custos seja complexa devido a escalas múltiplas.
Viagens a destinos menos usuais e missões oficiais
O levantamento também aponta para viagens a locais menos comuns. A professora Sandra Almeida esteve em Kigali, Ruanda, para uma conferência internacional, com custo de R$ 47 mil. José de Oliveira participou de um workshop nas Ilhas Maurício por R$ 33 mil, e o diplomata Almir Nascimento viajou para Chengdu, China, com despesa de R$ 29 mil.
Um total de 21 viagens foram registradas para Cotonou, Benin, somando R$ 160 mil, com destaque para 11 deslocamentos em apenas dois dias. A ministra da Cultura, Margareth Menezes, realizou uma missão oficial em Cotonou, Porto-Novo e Uidá, representando o Brasil em festividades culturais e agendas de cooperação.
Posicionamento do governo e justificativas
Em resposta, a Presidência da República afirmou que as despesas com viagens oficiais seguem rigorosamente a legislação e visam a execução de políticas públicas em diversas áreas, como segurança, saúde e relações internacionais. A nota oficial ressalta que a divulgação de informações pode ser restringida pela LAI quando compromete investigações ou fiscalizações.
O governo defende que a análise isolada dos valores pode gerar conclusões equivocadas, e que o país mantém responsabilidade fiscal. A Controladoria-Geral da União (CGU) mantém a relação de informações classificadas como restritas disponível para consulta, indicando os fundamentos legais para o sigilo.