Papa Francisco alerta para "esterilidade drástica" na Europa e discriminação contra a maternidade

Papa Francisco alerta para “esterilidade drástica” na Europa e discriminação contra a maternidade

Resumo

Papa Francisco alerta para “esterilidade drástica” na Europa e discriminação contra a maternidade

Em um discurso contundente, o Papa Francisco denunciou o que chamou de “esterilidade drástica” na Europa, atribuindo-a à rejeição dos valores cristãos nas instituições do continente. Segundo o pontífice, essa postura tem levado a políticas contraditórias que, embora se apresentem como favoráveis à família, acabam por promover o aborto e minar o desejo de constituir lares.

O Santo Padre expressou preocupação com a “falha em transmitir as ferramentas materiais e culturais de que os jovens precisam para enfrentar o futuro”, o que, em sua visão, priva muitos do direito de nascer e compromete o desenvolvimento geracional. A “pandemia da solidão” também foi apontada como um reflexo preocupante desse cenário.

As declarações foram feitas em audiência com membros do Intergrupo sobre Demografia do Parlamento Europeu, em 25 de maio. Conforme informações divulgadas pela Catholic News Agency, o Papa ressaltou a importância da família, fundada no matrimônio entre homem e mulher, como um antídoto contra o individualismo e a intervenção excessiva do Estado.

O declínio demográfico europeu: um desafio urgente

O declínio da taxa de natalidade na Europa é um fato alarmante. Relatórios do Eurostat indicam que todos os países da União Europeia registram quedas desde 2004. Em 2024, a taxa de nascimentos por mil habitantes foi de 7,9, e a idade mediana da população atingiu 44,9 anos em 2025. Esses dados, segundo o Papa, “não são meras estatísticas, mas falam de paternidade, maternidade e filhos. E os filhos são o futuro!”.

Francisco enfatizou que a “solidariedade entre gerações”, atualmente escassa no continente, é fundamental para um desenvolvimento integral e sustentável. Ele argumentou que a chave para reverter essa tendência reside na “dignidade fundamental de todas as pessoas” e no papel insubstituível da família como “a primeira e insubstituível escola de vida social”.

A família como pilar contra extremos sociais

O Papa Francisco defende que a família, baseada no matrimônio entre homem e mulher, é o alicerce para evitar tanto o “excesso de intervenção estatal” quanto o “individualismo desenfreado”. Ele apelou aos parlamentares europeus para que promovam a responsabilidade compartilhada e o papel ativo das famílias na vida social, política e cultural.

Essa abordagem, segundo o pontífice, oferece “princípios imutáveis” para responder a questões cruciais: “Qual é o significado e o valor da vida humana; o que é uma sociedade humana autêntica; e que tipo de mundo queremos deixar para as gerações futuras”.

Políticas públicas e o bem comum

Para que as políticas nacionais e da União Europeia sejam eficazes na resolução da crise demográfica, o Papa Francisco defende que elas sejam “desenvolvidas e formuladas em parceria com a sociedade civil”. O objetivo é que essas políticas “olhem para as pessoas humanas em sua totalidade e sempre promovam a dignidade dos seres humanos”.

Somente assim, afirmou o Santo Padre, “um caminho genuinamente humano pode ser aberto para resolver a crise demográfica, orientado para o bem comum e o bem-estar das gerações futuras”. Ele concluiu com uma metáfora poderosa: “somente uma nova primavera para a família pode transformar o frio invernal de nossas populações envelhecidas!”.

O encontro ocorreu em Roma, durante a Conferência sobre Família e Demografia, que contou com a presença de autoridades como a comissária europeia Dubravka Šuica e a ministra italiana Eugenia Roccella.

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