Flávio Bolsonaro delineia perfil para futuras indicações ao STF, focando em “técnicos e conservadores de verdade”.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou nesta quarta-feira (3) que, caso venha a ser eleito presidente, pretende indicar nomes com perfil **técnico e conservador genuíno** para o Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração foi feita durante entrevista ao jornal O Tempo, em meio a uma agenda de pré-campanha em Minas Gerais.
Flávio Bolsonaro destacou a **grande responsabilidade** que o próximo presidente terá ao indicar quatro novos ministros para a Corte. Segundo ele, o perfil dos indicados será distinto dos atuais, priorizando aqueles que possuam não apenas o conhecimento técnico necessário, mas também sejam verdadeiramente conservadores.
O parlamentar justificou sua posição ao criticar o que denomina como **”ativismo judicial”**, argumentando que decisões monocráticas com viés ideológico frequentemente extrapolam a competência do Poder Legislativo. A declaração foi divulgada após agenda em Minas Gerais, conforme informações do jornal O Tempo.
Críticas ao “ativismo judicial” e defesa de critérios conservadores
O senador expressou sua preocupação com decisões que, em sua visão, desvirtuam a função do Judiciário. Ele citou exemplos como a **possível descriminalização de drogas ou a permissão do aborto** através de decisões individuais de ministros. Flávio Bolsonaro ressaltou a importância de indicar nomes que tenham **”viabilidade de passar no Senado Federal”**, um detalhe crucial no processo de aprovação.
Ele lamentou o que percebe como uma tentativa de alguns magistrados de “governar o país”, em contraste com a época em que, segundo ele, os ministros se manifestavam “apenas nos autos”. A busca por um STF alinhado a seus valores ideológicos é um ponto central em sua visão para o futuro do país.
Pilares para a indicação de ministros ao STF
Caso assuma a Presidência, Flávio Bolsonaro adiantou que suas escolhas para a Suprema Corte seriam guiadas por três pilares fundamentais. O primeiro seria o **alinhamento ideológico e técnico**, buscando um equilíbrio entre o saber jurídico notório e valores conservadores, funcionando como uma barreira contra pautas como a descriminalização do aborto e das drogas.
O segundo pilar seria a **viabilidade política**, priorizando nomes com bom trânsito e capacidade de aprovação na sabatina do Senado Federal. Por fim, o terceiro critério seria o **respeito à Constituição**, com a escolha de perfis focados no “básico”, que atuem estritamente a serviço da Carta Magna e do país, em detrimento de “projetos de poder”.
Oposição a Jorge Messias e críticas ao governo
Na mesma entrevista, o senador reiterou sua **forte oposição a uma eventual indicação do atual advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF**. Flávio assegurou que atuaria ativamente no Senado para barrar o nome de Messias, considerando-o alinhado aos interesses do governo federal e não à “estrita legalidade”.
O parlamentar também acusou o presidente Lula de demonstrar simpatia por facções criminosas, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), ao não reconhecê-las como organizações terroristas. Flávio defendeu **medidas mais rigorosas contra o crime organizado**, um tema que tem pautado suas declarações recentes.
Recentemente, Flávio Bolsonaro anunciou que ingressaria com uma notícia-crime no STF contra o presidente Lula. A ação se baseia em uma declaração de Lula que, segundo o senador, teria incitado sua morte, ao relembrar um episódio histórico para sugerir que Flávio merecia ser “enforcado” como traidor. A disputa política entre Flávio e Lula também envolve a repercussão de possíveis novas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump ao Brasil.