Parada LGBT+ em SP une ativismo e eleição 2026 com forte crítica ao PL e à família Bolsonaro
A 30ª edição da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, realizada neste domingo (7) na Avenida Paulista, ganhou um tom político acentuado com o lema “a rua convoca, a urna confirma”. O evento buscou **estimular a participação eleitoral da comunidade LGBT+** nas eleições de 2026, combatendo a apatia política.
Uma urna inflável foi destaque na mobilização, parte da campanha nacional “meu voto não é neutro”, que visa reduzir a abstenção. A pauta política se tornou central, com organizadores e participantes ressaltando a necessidade de **representatividade e compromisso do Legislativo** para garantir direitos.
A crítica direcionada ao Partido Liberal (PL), sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi explícita. A artista Viviany Beleboni chegou a retratar o PL como o “Partido de Lúcifer”, e manifestantes dirigiram críticas a Jair e Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo partido. Conforme informações do portal UOL, a presença política e a mensagem eleitoral foram pontos altos da celebração.
A Urna Inflável e a Campanha “Meu Voto Não é Neutro”
A presença de uma urna inflável na Avenida Paulista chamou a atenção dos participantes. A iniciativa integra a campanha nacional “meu voto não é neutro”, que tem como objetivo principal **combater a apatia política e diminuir o número de abstenções** nas próximas eleições. A ideia é conscientizar a comunidade sobre o poder do voto.
O personagem Votinho foi o embaixador da campanha no evento, interagindo com o público e incentivando a participação cívica. A mobilização ressalta a importância da **representatividade LGBT+ nos espaços de poder** e a necessidade de que as pautas da comunidade sejam efetivamente consideradas pelos eleitos.
Críticas ao PL e à Família Bolsonaro
O Partido Liberal (PL) e seus representantes foram alvos de fortes críticas durante a Parada. A artista Viviany Beleboni, com sua performance, **simbolizou o PL como o “Partido de Lúcifer”**, expressando o descontentamento de parte da comunidade com as políticas e discursos associados à sigla e à família Bolsonaro.
Participantes como Raíssa Gomes, em entrevista à EFE, relataram o impacto negativo de governos anteriores na comunidade. “Quando Jair Bolsonaro foi eleito, houve uma onda de ataques a pessoas LGBT nas ruas. Ele representou o medo e, além do retrocesso nas leis, simbolizou também o medo e uma espécie de aval para que nos maltratassem”, declarou Gomes.
A Luta por Direitos no Legislativo
Matheus Emílio Pereira da Silva, diretor da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, destacou a importância de **garantir direitos na letra da lei**. Ele lembrou que, nos últimos 20 anos, muitas pautas foram avançadas por decisões judiciais, mas a consolidação no Legislativo é fundamental.
“A gente precisa ainda de um compromisso do nosso Legislativo para assegurar esses direitos na letra da lei — e não apenas com decisões judiciais como nós temos atualmente”, afirmou Pereira da Silva em entrevista à Agência Brasil. A presença de políticos como a ministra Janine Ribeiro e as deputadas Sâmia Bomfim e Erika Hilton reforçou o caráter político do evento.
Redução de Patrocínios e Conquistas Legislativas
A deputada Erika Hilton utilizou o palco para criticar a **redução de 60% no número de patrocinadores** da Parada LGBT+ deste ano, o que impactou a estrutura do evento. Hilton também celebrou a recente aprovação, pela Câmara dos Deputados, do fim da escala 6×1, uma conquista para a classe trabalhadora.
A fala da deputada ressaltou a dualidade do evento: a celebração da cultura e da identidade LGBT+, e a luta contínua por direitos e reconhecimento. A mobilização nas ruas e a busca por representatividade no Congresso Nacional caminham juntas, evidenciando a importância do voto para o avanço da comunidade. A presença de artistas como Pabllo Vittar e Gloria Groove também atraiu multidões para a Avenida Paulista.