O programa “20 Minutos”, apresentado por Breno Altman em seu canal “Opera Mundi” no YouTube, tornou-se um ponto de encontro para a esquerda revolucionária brasileira, atraindo ex-presidentes, ministros, acadêmicos e líderes de movimentos sociais. O talk show se destaca por promover discussões sobre temas controversos, como a defesa do Hamas, a crítica à democracia liberal e a exaltação de regimes como os da China, Cuba e Irã.
O programa “20 Minutos”, do canal “Opera Mundi” no YouTube, comandado pelo jornalista Breno Altman, tem se consolidado como um importante fórum para a esquerda marxista brasileira. Em suas entrevistas, figuras proeminentes do cenário político e intelectual nacional e internacional discutem ideias consideradas radicais e contra-hegemônicas pela imprensa tradicional.
A linha editorial do programa frequentemente aborda temas como a luta anti-imperialista, a crítica ao sionismo e a exaltação de movimentos e regimes políticos que desafiam a hegemonia ocidental. As discussões muitas vezes remetem a debates históricos do século XX, como o socialismo e a ditadura do proletariado.
Um dos pontos mais notórios do “20 Minutos” é a defesa de grupos como o Hamas, classificado por seus entrevistados como um “movimento de luta de resistência anticolonial”. Essa postura, aliada a críticas contundentes a Israel e aos Estados Unidos, tem gerado debates acalorados e atraído a atenção de diferentes setores da sociedade. Conforme informações divulgadas pelo “Opera Mundi”, o programa busca dar voz a ideias que são subestimadas pela mídia convencional.
Um Fórum para Ideias Radicais e Controvertidas
A lista de convidados do “20 Minutos” inclui nomes como Dilma Rousseff, Nicolás Maduro, Evo Morales, Fernando Haddad, Marina Silva, José Dirceu, João Pedro Stedile, Erika Hilton e Glauber Braga. Esses participantes frequentemente compartilham visões que desafiam o senso comum, como a ideia de que a democracia liberal possui um “núcleo fascista interno”, como argumentado pelo filósofo Vladimir Safatle.
Outra tese recorrente é a de que o Irã, Cuba e Venezuela são exemplos a serem seguidos ou, no mínimo, experiências que merecem apoio por sua postura de enfrentamento aos Estados Unidos. Essa perspectiva ignora, segundo críticos, as questões de direitos humanos nesses países.
O programa também aborda a religião, com críticas ao cristianismo e à Bíblia. A terapeuta Aline Câmara, por exemplo, definiu o Deus bíblico como “megalomaníaco” e “fascista”, e a Bíblia como “o grande problema” por espalhar “culpa tóxica”. O historiador Mansur Peixoto, por sua vez, afirmou que “a origem da perseguição aos judeus está no cristianismo, e não no islamismo”.
Breno Altman: Judeu Antissionista e Defensor do Hamas
Breno Altman, o apresentador do “20 Minutos”, é um judeu autodeclarado “antissionista”, ou seja, contrário ao sionismo, corrente política que defende a existência de Israel como Estado nacional do povo judeu. Essa posição o tornou um dos principais militantes pró-Palestina no Brasil, especialmente após os ataques do Hamas contra Israel em outubro de 2023.
Altman já foi alvo de denúncias do Ministério Público Federal por racismo contra judeus e incitação e apologia ao crime, após publicações consideradas antissemitas em suas redes sociais. Ele minimiza as acusações contra o Hamas, afirmando que “os possíveis abusos cometidos pelo Hamas são insignificantes perto dos crimes de lesa-humanidade e genocídio cometidos pelo Estado de Israel”.
Em resposta à reportagem, Altman defende que o “20 Minutos” busca “colocar em circulação todas as ideias que possuam alguma representatividade histórica e política, incluindo as de direita, sem preconceitos”. Ele argumenta que o programa abre espaço para o “pensamento contra-hegemônico”, que é “escondido ou subestimado pela imprensa tradicional”.
A “Máquina do Tempo” da Esquerda
Apesar de convidar figuras influentes e abordar temas atuais, o “20 Minutos” é frequentemente descrito como uma “máquina do tempo”. As conversas muitas vezes giram em torno de Lenin, Stalin, Mao, ditadura do proletariado e luta armada, em um tom que remete a debates do passado.
Enquanto o mundo discute inteligência artificial e economia global, o programa parece focado em ideologias e estratégias revolucionárias que marcaram o século XX. Essa abordagem anacrônica, no entanto, não o torna inofensivo, pois o programa tem alcance e influencia parte da juventude e da liderança da esquerda brasileira.
Defesa de Regimes e Crítica à Democracia
O programa também se destaca pela defesa de regimes autoritários e pela crítica à democracia liberal. Elias Jabbour, geógrafo e ex-consultor de Dilma Rousseff, chegou a afirmar que a revolução chinesa de 1949 foi “talvez a maior vitória da democracia da história humana”, ignorando as milhões de execuções e a ausência de eleições no país.
Juliana Baroni, atriz e diretora de documentários, defendeu que as revoluções comunistas em Cuba e China “deram certo”, respondendo à falta de liberdade com a frase “depende do que você chama de liberdade”. Essa visão relativiza a importância das liberdades individuais em nome de um projeto político.
O deputado estadual Renato Freitas (PT-PR) expressou “respeito” por guerrilheiros brasileiros que cometeram crimes durante o regime militar, argumentando que os militares “só conhecem a força das armas”. Essas declarações reforçam a ideia de que a violência pode ser um meio legítimo para alcançar objetivos políticos radicais.