Casa Branca sedia evento inédito do UFC em celebração ao Dia da Bandeira e aniversário de Trump
A Casa Branca será palco neste domingo (14) de um evento sem precedentes: o UFC Freedom 250. A luta acontecerá no gramado sul da residência oficial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, coincidindo com o Dia da Bandeira e o aniversário de 80 anos do presidente. O brasileiro Alex “Poatan” Pereira, campeão dos meio-pesados, estará em ação contra Ciryl Gane pelo título interino dos pesos-pesados.
A ideia do evento partiu do próprio presidente Trump, que em julho do ano passado anunciou a intenção de realizar um evento de MMA nos jardins da Casa Branca. A celebração faz parte das comemorações dos 250 anos da independência americana, que ocorre neste ano.
O objetivo de Trump é transformar o UFC na Casa Branca em uma grande vitrine do orgulho nacional americano. Mais de mil militares estarão entre os 4 mil convidados especiais, com grande parte dos ingressos reservada para as Forças Armadas e suas famílias. A programação inclui ainda bandas militares, sobrevoo dos paraquedistas Golden Knights, apresentação da banda country Zac Brown Band, cavalos Clydesdale e dez minutos de fogos de artifício. Conforme divulgado pela organização, uma área próxima à Casa Branca deve receber cerca de 120 mil pessoas para assistir às lutas.
Estrutura grandiosa e custos elevados marcam o evento
Para a realização do UFC Freedom 250, o UFC ergueu no gramado sul da Casa Branca uma estrutura metálica de 28 metros de altura e aproximadamente 545 toneladas, apelidada de “The Claw” (A Garra). Essa impressionante obra, fabricada na Bélgica e montada nos Estados Unidos, começou a ser construída em 20 de maio, com cerca de 900 pessoas envolvidas na montagem. O custo total do evento ultrapassa os US$ 60 milhões (cerca de R$ 311 milhões), sendo integralmente bancado pelo UFC, como informado pela organização.
Card principal com estrelas brasileiras e disputas de cinturão
O card principal promete grandes emoções, com destaque para a disputa pelo cinturão do peso-leve entre o georgiano-espanhol Ilia Topuria e o americano Justin Gaethje. O brasileiro Alex “Poatan” Pereira, um dos lutadores mais populares globalmente, enfrentará o francês Ciryl Gane pelo título interino dos pesos-pesados, buscando mais uma conquista em sua carreira.
Além de Poatan, outros brasileiros marcam presença no evento. Mauricio Ruffy encara o americano Michael Chandler no peso-leve, enquanto Diego Lopes disputa na categoria peso-pena contra o americano Steve Garcia. O evento também contará com lutadores americanos como Sean O’Malley, Josh Hokit e Bo Nickal, em combates contra adversários canadenses e americanos.
Contestações judiciais e acusações de conflito de interesses
Apesar do clima festivo, o UFC Freedom 250 se tornou alvo de contestações judiciais. Um escritório de advocacia entrou com uma ação pedindo a suspensão do evento, alegando que o Departamento do Interior e o Serviço Nacional de Parques violaram regulamentações federais ao permitir um evento esportivo privado em propriedade pública. A construção da estrutura “The Claw” e a ausência de uma avaliação ambiental também foram pontos levantados na queixa.
Os autores da ação argumentam que o evento não celebra a fundação dos Estados Unidos, mas sim o UFC e o aniversário de Trump, descaracterizando-o como uma celebração oficial. Em resposta, o Departamento de Justiça defendeu a legalidade do evento, criticando os autores e argumentando que a suspensão causaria prejuízos significativos.
Outra frente de contestação envolve a relação de Trump com o TKO Group Holdings, dono do UFC. Acusações de conflito de interesses surgiram devido a declarações do presidente sobre investimentos em ações da empresa. Consultorias políticas teriam orientado clientes a comprar pacotes de patrocínio do evento para obter acesso privilegiado ao presidente. A Casa Branca negou veementemente as acusações, afirmando que “não há conflitos de interesse”.
Reações políticas dividem opiniões
A realização do evento gerou reações distintas no cenário político. Deputados democratas, como Jared Huffman e a senadora Elizabeth Warren, criticaram a iniciativa, questionando os gastos em detrimento de outras prioridades. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, também ironizou a situação nas redes sociais.
Por outro lado, entre os republicanos, o secretário de Segurança Interna dos EUA, Markwayne Mullin, elogiou a iniciativa, destacando o patriotismo envolvido. A expectativa é de um evento memorável, que une esporte de elite à celebração nacional, apesar das controvérsias.