Evangélicos no Brasil: Um Poder Eletoral em Ascensão e as Estratégias Políticas para Conquistá-lo
Nos últimos 30 anos, a população evangélica no Brasil testemunhou um crescimento impressionante, saltando de 9,1% no início dos anos 1990 para 26,9% em 2022, segundo o último Censo. Esse aumento expressivo transformou o grupo em um eleitorado cada vez mais influente e cobiçado no cenário político nacional. A esquerda, percebendo a perda desse segmento, busca novas estratégias para reconquistar sua confiança e voto.
Historicamente, a relação entre evangélicos e a esquerda nem sempre foi de oposição frontal. No entanto, a partir de meados de 2015, um **pânico moral** em relação às pautas progressistas, como questões de família, aborto, drogas e a percepção de um materialismo na base do pensamento de esquerda, gerou um afastamento significativo. Essa mudança se intensificou com a ascensão de Jair Bolsonaro, que encontrou forte apoio entre os evangélicos.
Pesquisas recentes, como a do Datafolha de 2026, indicam que 52% dos evangélicos se declaram de direita ou centro-direita, enquanto apenas 30% se identificam com a esquerda. Essa realidade força a esquerda a repensar suas abordagens e a buscar caminhos para dialogar com um público que, em grande parte, se sente distanciado de seus valores tradicionais. As informações foram divulgadas com base em análise de dados de pesquisa e artigos de opinião.
A Mudança de Rumo Eleitoral e a Identificação com a Direita
A pesquisa de Simone R. Bohn, de 2004, já apontava a forte presença evangélica entre as populações mais pobres, representando 67,7% entre aqueles que recebem até dois salários mínimos. Além disso, o pentecostalismo, um segmento evangélico expressivo, é a religião mais negra do Brasil, com 30% dos pretos e 29,3% dos pardos se declarando evangélicos. Essa demografia demonstra a importância do eleitorado evangélico, especialmente entre os mais vulneráveis.
O Partido dos Trabalhadores (PT) observou com apreensão o esvaziamento desse público. Embora os evangélicos nunca tenham sido majoritariamente petistas, a **rejeição à esquerda** tornou-se mais explícita. A identificação com a direita, impulsionada pelo que alguns chamam de **pânico moral**, consolidou essa tendência. A percepção de que a esquerda se distancia de valores cristãos tradicionais, como a família e a moralidade, contribuiu para esse afastamento.
Tentativas de Aproximação e os Desafios da Esquerda
Diante desse cenário, a esquerda tem tentado estratégias para se reaproximar dos evangélicos. Um exemplo foi a participação de Janja, esposa de Lula, e do pastor Kleber Lucas em um evento de campanha, com um tom que remetia à música gospel. No entanto, essa tentativa foi vista como um **tiro no pé**, desagradando até mesmo aliados e evidenciando a dificuldade em conectar com esse público.
Outra iniciativa foi a análise de Zélia Duncan, que, após ler o livro “Povo de Deus” de Juliano Spyer, criticou o preconceito da elite progressista contra os evangélicos. Ela destacou a **importância social da igreja nas periferias** e a necessidade de a esquerda abandonar estereótipos para compreender a complexidade desse movimento religioso e social no Brasil. Contudo, o impacto dessas reflexões na prática política ainda é incerto.
O Papel da Fé e a Crítica à Manipulação Política
O autor do artigo expressa sua **desaprovação à união de parte da igreja evangélica com a política partidária**, especialmente com o bolsonarismo. Ele argumenta que a Igreja é de Cristo e que a busca por um “protoparaíso terreno” através de alianças políticas pode ser vista como uma troca da fé pela ideologia. Essa união é comparada ao episódio bíblico em que o povo insistiu em ter um rei, desobedecendo à vontade divina.
A esquerda, em sua busca por reverter a perda desse eleitorado, tenta entender a dinâmica que levou os evangélicos a se afastarem. A perda desse público significa, em grande parte, a perda do eleitorado pobre, historicamente fiel ao PT. A dependência de programas sociais é apontada como um fator estratégico que mantém as pessoas em uma **pobreza controlada**, facilitando a influência política.
Oração por Libertação e o Futuro da Igreja na Política
O autor finaliza com uma oração para que a Igreja seja libertada de **manipulações e alianças espúrias**, tanto à direita quanto à esquerda. Ele ressalta que a participação política dos evangélicos, a escolha de afiliações ideológicas e a representação em cargos eletivos são legítimas. No entanto, ele enfatiza a necessidade de lembrar que “esse mundo jaz no maligno” e que qualquer tentativa de transformá-lo deve ser feita com prudência e humildade, reconhecendo a possibilidade de falha.
A pesquisa citada na coluna ouviu 2.058 eleitores em todo o país entre os dias 18 e 19 de agosto, com margem de erro de 2 pontos percentuais e intervalo de confiança de 95%, registrada no TSE sob o número BR-04496/2026.