Associação Brasileira de Imprensa (ABI) manifesta apoio público à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, citando defesa de princípios democráticos e rejeição a ameaças ao Estado de Direito.
A Associação Brasileira de Imprensa (ABI), entidade historicamente atuante na defesa das liberdades e da democracia no Brasil, anunciou nesta terça-feira (8) seu apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em nota oficial divulgada em seu site, a ABI fundamentou sua decisão nos princípios que norteiam sua atuação desde a fundação em 1908, enfatizando a defesa do Estado Democrático de Direito, soberania nacional, liberdades políticas, de expressão e de imprensa, além dos direitos humanos.
A declaração da ABI ocorre meses após a associação ter acionado o Supremo Tribunal Federal (STF) contra a Lei da Dosimetria, norma que alterava critérios de cálculo e execução de penas para condenados pelos atos de 8 de janeiro. O caso levou o ministro Alexandre de Moraes a suspender a aplicação da lei, considerando as ações de inconstitucionalidade apresentadas um “fato processual novo e relevante”. Conforme noticiado, a iniciativa da ABI integrou um conjunto de ações que culminaram na decisão de Moraes.
Defesa da Democracia e Crítica a Candidaturas Ameaçadoras
No comunicado, a ABI declarou que rejeita candidatos que, em sua avaliação, representam uma ameaça à democracia e mantêm relação de conivência com o que chamou de “golpismo e golpistas”. A entidade considera que o presidente Lula, em sua trajetória política e no exercício de seus mandatos, demonstra sintonia com os princípios defendidos pela associação.
A associação ressaltou que a decisão de apoiar a reeleição de Lula se baseia na trajetória do petista e em sua sintonia com os valores defendidos pela ABI, sem, no entanto, detalhar medidas específicas do governo que justificariam o endosso eleitoral. A ênfase recai sobre a defesa intransigente da democracia e das instituições.
Contexto da Ação Contra a Lei da Dosimetria
A ação da ABI no STF contra a Lei da Dosimetria, aprovada pelo Congresso e que teve o veto integral de Lula derrubado, foi apresentada no dia seguinte à promulgação da norma, em maio. A entidade argumentou na ação que a aplicação da nova legislação poderia gerar a percepção de que ataques às instituições republicanas não seriam devidamente punidos.
A ABI utilizou conceitos da psicologia das massas para sustentar seus argumentos contra a mudança nas regras de execução das penas. A suspensão da lei pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, deu seguimento aos critérios de execução penal anteriores, reforçando a importância das ações de inconstitucionalidade.
Posicionamentos Políticos Recentes da ABI
O apoio a Lula se soma a outros posicionamentos políticos recentes da ABI. Em 2023, a entidade defendeu a regulamentação das plataformas digitais e considerou que o “controle social dos meios de comunicação” poderia ser um exercício de cidadania. Em 2024, membros da ABI assinaram uma carta solicitando ao governo brasileiro o reconhecimento da reeleição de Nicolás Maduro na Venezuela.
A associação criticou também candidatos que, segundo sua análise, defendem a “submissão” do Brasil a potências estrangeiras e a “entrega” de riquezas nacionais, embora não tenha citado nominalmente os adversários de Lula. A manifestação reforça o engajamento da ABI em debates políticos e na defesa de seus princípios institucionais.