Manifestações do “Acorda, Brasil” mobilizam milhares de pessoas em São Paulo e em diversas capitais
Diversas capitais brasileiras foram palco de grandes concentrações neste domingo (1), com o ato “Acorda, Brasil”, convocado por grupos de direita. Cidades como Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Goiânia, Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador viram apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro se reunirem em seus principais cartões postais.
Em São Paulo, a Avenida Paulista foi o principal ponto de encontro, atraindo uma multidão expressiva. A mobilização, que começou pouco antes do meio-dia, contou com a presença de diversas autoridades e lideranças do campo conservador, incluindo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, e os deputados federais Ricardo Salles e Philippe de Orleans e Bragança.
As pautas centrais dos atos incluíram o pedido de anistia para os condenados pelos atos de 8 de janeiro, críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a defesa de um tom mais duro contra o Supremo Tribunal Federal (STF). Conforme informações divulgadas, a mobilização foi encerrada por volta das 17h.
Flávio Bolsonaro exalta mobilização e compara governos
Em São Paulo, o senador Flávio Bolsonaro exaltou a mobilização liderada por Nikolas Ferreira, afirmando que o movimento reacendeu a disposição de luta entre os apoiadores. Em seu discurso, o parlamentar comparou a gestão de seu pai com a do atual presidente Lula.
Segundo Flávio Bolsonaro, na gestão anterior, “o governo lutava pela liberdade de pensamento dentro de sala de aula” e que o ex-presidente “estendia a mão para as pessoas que mais precisavam”. Em contraposição, criticou o governo Lula, mencionando gastos e decisões que, de acordo com ele, prejudicam a população.
Sobre o projeto relacionado à dosimetria das penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro, o senador afirmou que “esse primeiro passo vai ser dado em breve” e que muitas pessoas “vão poder ir para suas casas”. A oposição articula a derrubada do veto do presidente Lula ao texto pelo Congresso Nacional.
Ao defender Jair Bolsonaro, disse que o ex-presidente está “mais vivo do que nunca” e que “nunca desistiu do nosso Brasil”. “Em janeiro de 2027 você vai subir aquela rampa do Planalto junto com o povo brasileiro”, disse, referindo-se a Jair Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro chegou ao ato por volta das 15h, acompanhado pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema, de Nikolas Ferreira e do pastor Malafaia. “Nós estamos aqui e não vamos desistir do nosso Brasil. O silêncio não é mais uma opção”, declarou o senador.
Nikolas Ferreira defende “Fora Lula, Moraes e Toffoli” e critica STF
Em Belo Horizonte, Nikolas Ferreira reuniu uma multidão na Praça da Liberdade e encontrou o governador mineiro Romeu Zema (Novo). Em tom descontraído, Nikolas escreveu o lema “Acorda, Brasil!” na camiseta branca do governador.
As bandeiras dos atos foram desde pautas como o pedido de anistia aos condenados pelo 8 de janeiro e a derrubada do veto presidencial ao PL da Dosimetria, como também críticas ao governo Lula e o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Além disso, a defesa do combate à corrupção e ao aumento de impostos também marcou presença.
A defesa de um tom mais duro contra o STF não era consensual dentro do campo da direita. O senador Flávio Bolsonaro tem adotado uma postura mais moderada, buscando ampliar o diálogo com setores de centro. Aliados temiam que uma pauta excessivamente concentrada em ataques à Corte pudesse produzir efeitos políticos indesejados neste momento pré-eleitoral.
Apesar disso, Nikolas Ferreira defendeu que estava ali pelo “fora Lula, fora Moraes e fora Toffoli”. “Estamos aqui por “fora Lula”. Nós estamos aqui pelo fora Moraes. O destino final do Alexandre de Moraes não é o Impeachment, é cadeia. Moraes, eu não tenho medo de você. Nós não temos medo de você”, disse o deputado.
Nikolas Ferreira também fez críticas a Toffoli, afirmando saber que parlamentares de esquerda também querem derrubá-lo. “Estamos aqui também por fora Toffoli. Foi ele que iniciou o inquérito das fake news. Eu sei que há também uma vontade da esquerda de derrubar o Toffoli, porque eles podem estar brigados, mas eles podem estar achando que a gente vai derrubar um e vai parar. Se a gente derrubar um, cai Moraes, cai todo mundo”, disse.
Mobilização em outras capitais e o boneco do Pixuleco repaginado
Em Brasília, a concentração aconteceu em frente ao Museu da República, com a presença de autoridades como os senadores Izalci Lucas (PL-DF) e Rogerio Marinho (PL-RN), e a deputada federal Bia Kicis (PL-DF). Todos discursaram a favor do perdão aos condenados pelo 8 de janeiro e pelo fim das “arbitrariedades”.
O filho 02 de Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, esteve presente e disse ter optado por “permanecer no chão, conversar de perto, ouvir e sentir o que as pessoas têm a dizer”. “Eu sou só uma pessoa que está se somando ao público”, declarou.
No Rio de Janeiro, o ato reuniu milhares de pessoas em Copacabana. O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) chamou a capital fluminense de “berço do bolsonarismo e da direita”. Ele escreveu no X: “Fora Lula, Moraes e Toffoli! CPMI do Banco Master! Anistia já! Bolsonaro livre!”.
Em Salvador, a concentração ocorreu em frente ao Farol da Barra, com um cortejo pela avenida Oceânica. A multidão vestiu as cores verde e amarelo e pediu liberdade para Bolsonaro.
Tradicional desde as manifestações que pediram o impeachment de Dilma Rousseff, o boneco do Pixuleco de Lula vestido de presidiário voltou repaginado. Uma versão com Bolsonaro censurado e a inscrição “Falem por mim!” na boca foi levada pelos apoiadores do ex-presidente, para simbolizar censura.
Atos marcam a pré-campanha de Flávio Bolsonaro
A mobilização do dia 1º de março ocorreu em um ambiente já marcado por movimentações pré-eleitorais e pela reorganização de lideranças no campo conservador. A expectativa entre os organizadores é de que o ato também sirva como uma vitrine para a pré-campanha de Flávio Bolsonaro na direita.
Escolhido por Jair Bolsonaro para ser o candidato do PL ao Palácio do Planalto, o senador intensificou, nas últimas semanas, as articulações para consolidar seus palanques em todo o país. Para o cientista político Gustavo Macedo, professor do Insper, o ato deve funcionar como um teste de narrativa.
“Já vivemos um clima de campanha permanente, e essas mobilizações ajudam a testar quais pautas colam junto ao eleitorado, se é Bolsonaro, anistia ou crítica ao STF”, avaliou Macedo. A grande quantidade de pessoas presentes demonstra a força e organização dos movimentos de direita no cenário político atual.