Alerta: Tarifas de até 37,5% podem atingir exportações brasileiras para os EUA em 2026; entenda o impacto

Alerta: Tarifas de até 37,5% podem atingir exportações brasileiras para os EUA em 2026; entenda o impacto

Resumo

CNI alerta para novas tarifas sobre exportações brasileiras aos EUA, com potencial de aumento para até 37,5%

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou um alerta nesta segunda-feira (15) sobre possíveis novas tarifas impostas pelos Estados Unidos às exportações brasileiras. Se as propostas do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) forem implementadas, uma parcela considerável dos produtos nacionais enviados para o mercado americano poderá enfrentar alíquotas significativamente mais altas.

A medida, se concretizada, representa um endurecimento nas relações comerciais entre os dois países, gerando preocupação no setor produtivo brasileiro. A CNI detalhou os percentuais de aumento e os produtos que podem ser mais afetados, indicando um cenário de maior custo para os exportadores brasileiros.

Essa projeção surge em um contexto onde os EUA apontam para o que consideram práticas comerciais desleais por parte do Brasil. A análise do governo americano fundamenta a possibilidade dessas retaliações, que, se aprovadas, terão um impacto direto na competitividade dos produtos brasileiros no exterior. Conforme informação divulgada pela CNI, as novas tarifas podem entrar em vigor a partir de 15 de julho de 2026.

Impacto das novas tarifas nas exportações brasileiras

De acordo com a projeção da CNI, caso as novas tarifas propostas pelo USTR sejam aprovadas, cerca de 31,6% das exportações brasileiras para os Estados Unidos poderão ser taxadas em 37,5%. Isso representaria um aumento expressivo de 27,5 pontos percentuais em relação à tarifa atual de 10%.

Adicionalmente, outros 3,6% das exportações podem ter suas tarifas elevadas de 10% para 12,5%, um acréscimo de 2,5 pontos percentuais. Somando essas projeções, um total de 35,2% das exportações brasileiras para os EUA estaria sujeito a novas taxas.

Considerando também as medidas setoriais já em vigor, como as da Seção 232, a parcela das exportações brasileiras submetida a alguma taxação adicional poderia atingir impressionantes 54,1%. As propostas, no entanto, ainda passarão por consulta pública e audiências antes de uma decisão final, o que significa que não terão efeito imediato.

Motivações dos EUA para a imposição de tarifas

A potencial retaliação comercial por parte dos Estados Unidos baseia-se na percepção de que o Brasil apresenta “insegurança jurídica, ativismo judicial e intervencionismo estatal”. O governo americano, sob a administração Trump, alega que o país distorce as práticas do livre mercado através de diversas ações, incluindo:

  • Censura digital
  • Protecionismo tarifário
  • Pirataria
  • Desmatamento ilegal
  • Impunidade em casos de corrupção
  • O uso do Pix

A recomendação é de uma tarifa extra de 25% sobre produtos brasileiros, baseada em uma investigação conduzida sob a chamada Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA de 1974. Essa seção permite a Washington retaliar países cujas práticas comerciais sejam consideradas injustificáveis, irracionais ou discriminatórias.

O que é a Seção 301 e seu impacto

A Seção 301 é um instrumento legal utilizado pelos Estados Unidos para responder a práticas comerciais que, em sua visão, prejudicam o comércio americano. O USTR publicou um relatório no início do mês recomendando a aplicação de tarifas sobre uma vasta gama de produtos importados do Brasil, indicando um possível impacto setorial profundo.

Na perspectiva do governo americano, as políticas internas do Brasil teriam ultrapassado fronteiras, prejudicando o capital e empresas estrangeiras. A investigação sob a Seção 301 visa justamente coibir essas práticas, que, segundo os EUA, criam um ambiente de concorrência desleal para seus próprios produtos e empresas no mercado internacional.

O cenário de novas tarifas para as exportações brasileiras para os EUA exige atenção do setor produtivo e do governo brasileiro, que buscará meios de mitigar os efeitos dessas potenciais medidas e defender os interesses nacionais nas negociações comerciais.

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