Moraes mantém veto a visita de Magno Malta a Bolsonaro na Papuda, citando riscos à segurança
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, negou o pedido de reconsideração apresentado pelo senador Magno Malta para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está detido no Núcleo de Custódia da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha. A decisão reitera a proibição de acesso sem autorização judicial expressa.
Moraes baseou sua decisão na alegação de que houve uma **tentativa de ingresso no estabelecimento prisional sem autorização judicial prévia**. O senador foi informado anteriormente sobre a necessidade de obter um aval do STF para acessar a área de custódia, mas, segundo o ministro, sua conduta posterior reforçou a necessidade de manter o veto.
A decisão do STF, divulgada na quinta-feira (26.fev.2026), também aponta para uma **parada de veículo em via próxima ao batalhão e início de filmagens do entorno**, após a saída do senador da unidade. Segundo o ministro, essa ação teria colocado em risco a segurança institucional, mesmo após o senador ter sido instruído sobre o procedimento correto para obtenção de autorização.
Senador Magno Malta alega inocência e dever de fiscalização
Em sua defesa, o senador Magno Malta protocolou um pedido de reconsideração onde sustentou que **não houve ingresso em área de custódia, nem descumprimento de ordem ou uso de força**. Ele afirmou que deixou o local voluntariamente após ser orientado e que a visita se baseava em suas prerrogativas parlamentares de fiscalização dos atos do Estado, com o objetivo de verificar as condições humanitárias da custódia.
Malta havia enviado um ofício à Polícia Federal em 12 de janeiro solicitando autorização para visitar Bolsonaro quando o ex-presidente ainda estava na Superintendência Regional da PF em Brasília. Na ocasião, ele argumentou que a visita seria para exercer seu **dever de fiscalização e verificar as condições de custódia**.
Oficial da PM relata presença e filmagens próximas à unidade prisional
Um ofício encaminhado ao Supremo pelo comandante do 19º Batalhão da Polícia Militar, Allenson Nascimento Lopes, detalhou a presença de Malta na unidade em 17 de janeiro de 2026. Segundo o relato, o senador esteve no local com a **intenção de adentrar a área de custódia para conhecer a cela de Jair Bolsonaro**.
O documento registra que Malta foi informado sobre as regras de visitação, que exigem autorização expressa do STF para qualquer visitante, inclusive autoridades. Apesar disso, o senador teria permanecido no local por cerca de 30 minutos conversando com agentes. O relato oficial também menciona a parada de um veículo e o início de filmagens do entorno, que foram interrompidas após orientações da Polícia Militar.
Malta se defende e critica decisões que ignoram fatos
Em declarações à Gazeta do Povo, o senador Magno Malta afirmou que recorreu da decisão por ser seu **dever e que não cometeu nenhum erro ou crime**. Ele criticou a repetição de decisões que, segundo ele, ignoram fatos e mantêm pessoas sob punições sem crime comprovado.
“O que se vê, infelizmente, é a repetição de decisões que ignoram fatos e mantêm pessoas sob punições mesmo sem crime comprovado. Isso diz muito sobre quem decide, especialmente quando falta sensibilidade diante do impacto humano dessas atitudes”, declarou o parlamentar.
Malta informou que já esperava a negativa, mas decidiu insistir. “Seguimos. Com serenidade e consciência tranquila. A história ensina: tudo passa”, concluiu o senador.