Moraes nega transferência de Bolsonaro para hospital e exige laudo médico após queda; Carlos Bolsonaro reage
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, negou o pedido de transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro para o hospital DF Star. A decisão foi tomada após um incidente em que Bolsonaro sofreu uma queda em sua cela, resultando em um traumatismo cranioencefálico considerado leve por médicos.
Moraes argumentou que não há necessidade imediata de remoção hospitalar e solicitou um laudo médico para avaliar a viabilidade de realizar os exames necessários na própria Superintendência da Polícia Federal (PF). A decisão gerou forte reação de Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente.
Carlos Bolsonaro expressou indignação em suas redes sociais, questionando a mudança de procedimento e acusando uma intenção de prejudicar a saúde de seu pai. O caso levanta questões sobre os protocolos de atendimento a detentos e a autonomia médica em situações de emergência.
Reação de Carlos Bolsonaro e relato de desorientação
O ex-vereador e candidato ao Senado, Carlos Bolsonaro, manifestou revolta com a decisão de Alexandre de Moraes. Em sua conta na rede social X, ele escreveu: “Anteriormente não havia necessidade de comunicação imediata em caso de intervenção hospitalar urgente. O que mudou? São fatos! Que absurdo! Querem matar Jair Bolsonaro!”.
Mais cedo, Carlos Bolsonaro relatou que o ex-presidente apresentava um hematoma no rosto, sangramento e sinais de desorientação. Ele também mencionou que aguardava há mais de duas horas pelo pai no hospital, demonstrando a urgência que a família sentia na situação.
Nota da PF e reviravolta na decisão de transferência
Inicialmente, um agente da Polícia Federal (PF) informou Bolsonaro sobre a chegada de Michelle Bolsonaro e, ao constatar o acidente, realizou o atendimento. A corporação divulgou uma nota informando “ferimentos leves” e descartando a necessidade de transferência, indicando apenas observação.
Contudo, a nota foi atualizada para indicar que a PF encaminharia o ex-presidente ao hospital DF Star para exames, após pedido de seu médico particular. Em uma segunda atualização, a PF voltou atrás, afirmando que qualquer encaminhamento ao hospital dependeria de autorização do STF.
Histórico de saúde e pedido da defesa
O pedido de transferência, protocolado pela defesa de Bolsonaro, descreve que o ex-presidente “sofreu queda em sua cela, com impacto craniano e suspeita de traumatismo, situação que, diante de seu histórico clínico recente, impõe risco concreto e imediato à sua saúde”. A defesa associou a urgência do pedido ao quadro geral de saúde do ex-presidente.
Argumentaram que uma avaliação médica imediata evitaria um “agravamento irreversível”. Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão e, durante o cumprimento da pena, já obteve autorização de Moraes para ir ao DF Star realizar uma cirurgia para correção de hérnia, entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026.
Apesar da situação, os médicos de Bolsonaro informaram que ele passa bem e está se comunicando normalmente. A PF, no entanto, considerou que a queda não se enquadraria como emergência, embora Moraes já tivesse esclarecido que em casos de emergência, o encaminhamento hospitalar não precisaria de autos prévios, bastando um relatório posterior.