Davi Alcolumbre previu resultado da votação para o STF antes do anúncio oficial
Um áudio vazado captou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), prevendo a derrota do governo Lula na indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). A projeção foi feita em um cochicho ao líder do governo na Casa, senador Jaques Wagner (PT-BA), instantes antes da divulgação oficial do placar.
O microfone da Mesa Diretora estava aberto, transmitindo ao vivo pela TV Senado, quando Alcolumbre declarou: “Eu acho que vai perder por oito”. A afirmação se mostrou precisa, pois Messias obteve 34 votos favoráveis contra 42 contrários, exatamente a diferença de oito votos mencionada.
Para a aprovação de um nome ao STF, era necessário o apoio de pelo menos 41 dos 81 senadores. A votação ocorreu após uma sabatina de aproximadamente oito horas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde o nome do Advogado-Geral da União (AGU) havia sido aprovado por 16 votos a 11.
Rejeição Histórica de Indicado ao STF
A rejeição de Jorge Messias marca um momento significativo na história do Supremo Tribunal Federal. Ele se tornou o primeiro indicado a ser barrado pelo Senado desde 1894 e o primeiro a ser recusado após a Constituição de 1988. Em 135 anos de existência da Corte, apenas cinco nomes haviam enfrentado a recusa dos senadores.
Assessoria de Alcolumbre Confirma Voz no Áudio
A assessoria de Davi Alcolumbre confirmou, por meio de nota, que a voz captada no áudio vazado era, de fato, a do presidente do Senado. A nota esclareceu que Alcolumbre respondeu a uma pergunta do líder do governo, Jaques Wagner, sobre o placar da votação.
“O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, foi questionado pelo líder do governo, senador Jaques Wagner, sobre o placar da votação e, como outros parlamentares que, ao longo dos últimos dias, vinham fazendo avaliações, deu sua opinião”, explicou a assessoria.
Contexto da Votação e Sabatina na CCJ
A sabatina de Jorge Messias na CCJ foi intensa, com debates que se estenderam por cerca de oito horas. Apesar da aprovação na comissão, o clima político e as discussões prévias sinalizavam um cenário desafiador para a aprovação em plenário.
A divergência de votos entre a CCJ e o plenário principal demonstra a complexidade e as diferentes visões políticas em jogo na análise de indicações para o STF. A **derrota de Messias** evidencia a força da oposição ou de senadores dissidentes em momentos cruciais de votação.
O Papel do Presidente do Senado e a Transparência das Votações
O episódio levanta questões sobre a transparência e a comunicação durante as sessões do Senado. A captação de diálogos privados, mesmo que em tom de cochicho, por microfones abertos, tem sido um ponto de atenção.
A **previsão de Alcolumbre**, que se confirmou com exatidão, reforça a percepção de que as articulações políticas e as projeções de resultados são constantes nos bastidores do Congresso Nacional. O caso de Jorge Messias se insere nesse contexto de **disputas políticas** e **análises de votos**.