Brasil repudia ação contra Maduro e usa termo “sequestro” na OEA
O governo brasileiro elevou o tom em relação à detenção de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, classificando a ação como um “sequestro” durante uma reunião extraordinária da Organização dos Estados Americanos (OEA), realizada em Washington. A declaração marca uma mudança na retórica diplomática do país, que até então se referia ao evento apenas como “captura”.
A nova designação foi feita pelo representante permanente do Brasil na OEA, embaixador Benoni Belli. Ele destacou que os bombardeios em território venezuelano e a subsequente detenção do presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, ultrapassaram um “limite inaceitável”. A fala de Belli ecoou preocupações já expressas pelo presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e por autoridades venezuelanas.
As declarações do embaixador brasileiro foram feitas em um discurso onde, embora sem citar diretamente os Estados Unidos, Belli enfatizou que tais ações representam uma “afronta gravíssima à soberania” da Venezuela e criam um “precedente extremamente perigoso” para a comunidade internacional. Conforme informação divulgada pelo portal G1, o Brasil busca reafirmar a América Latina e o Caribe como uma “zona de paz”.
Ameaça ao multilateralismo e à soberania
O embaixador Benoni Belli argumentou que agressões militares como a ocorrida na Venezuela levam a um cenário onde “a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”. Ele ressaltou que o Brasil não pode aceitar o argumento de que “os fins justificam os meios”, defendendo a importância do respeito ao direito internacional.
Belli também mencionou que a Carta das Nações Unidas foi “claramente violada” com a ação. Ele comparou a situação a “os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe”, um período histórico que o Brasil pretende evitar a repetição.
Brasil determinado a agir pela paz regional
O representante brasileiro afirmou que o país “está determinado a agir” para preservar o “patrimônio regional da paz”. A diplomacia brasileira acredita que a solução para a crise venezuelana deve vir de um processo político interno, inclusivo e livre de interferências externas, que respeite a vontade do povo e a dignidade humana.
Na última semana, o governo brasileiro já havia reconhecido a vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina da Venezuela, logo após a prisão de Maduro em Caracas e sua posterior transferência para Nova York, onde responde a acusações de “narcoterrorismo”. O presidente Lula e Rodríguez tiveram uma conversa telefônica para discutir a situação do país.