BRB busca estabilidade com venda milionária de ativos herdados do Master
O Banco de Brasília (BRB) anunciou um acordo significativo para a venda de até R$ 15 bilhões em ativos provenientes do Banco Master. O objetivo principal é reforçar o caixa da instituição e conter a crise de liquidez que surgiu após transações fraudulentas envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro.
A operação, estruturada em parceria com a gestora Quadra Capital, prevê um pagamento imediato substancial, seguido por uma parcela atrelada ao desempenho futuro dos ativos. Esta medida é vista como crucial para a reorganização financeira do BRB.
Segundo fato relevante divulgado pelo banco estatal, a transação visa alienar os ativos para fortalecer a estrutura de capital e a liquidez, além de otimizar a gestão do portfólio. Conforme informação divulgada pelo banco estatal na noite de segunda-feira (20), o negócio prevê pagamento imediato entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões.
Detalhes do Acordo e Impacto Financeiro
A proposta da Quadra Capital, estimada em R$ 15 bilhões, foi apresentada como uma alternativa para reduzir a exposição do BRB. A carteira total de ativos oriundos do Banco Master soma R$ 21,9 bilhões, com aproximadamente R$ 20 bilhões ainda disponíveis para negociação após tratativas iniciais. A estrutura de pagamento inclui uma parcela à vista de no mínimo R$ 3 bilhões e até R$ 4 bilhões, e uma parcela remanescente, estimada entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões, representada por cotas subordinadas do fundo de investimento a ser criado.
Busca por Reforço Externo e Garantias
Apesar da venda de ativos, o BRB ainda necessitará de reforço externo. O governo do Distrito Federal está articulando um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e outras instituições financeiras. O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, informou que estão em análise as garantias para viabilizar o financiamento, incluindo imóveis públicos e participações em empresas estatais.
Investigação e Prisão do Ex-Presidente
A crise foi intensificada pela prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que é apontado pela investigação como operador de Daniel Vorcaro dentro do banco. Costa teria recebido R$ 146 milhões em propinas, através de imóveis de luxo e do comando de uma holding. A operação de venda do Master ao banco estatal, que foi barrada pelo Banco Central, levou à revelação de transações irregulares posteriores.
Posicionamento do Governo do Distrito Federal
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, tem enfatizado que seu mandato está atuando para salvar o banco. Ela declarou não ter tido conhecimento das operações firmadas com o Master quando era vice-governadora. O BRB buscou interlocução direta com o Banco Central e o mercado financeiro para estabilizar a instituição, sendo a proposta de venda de ativos uma das principais saídas discutidas.