Traições na Direita: Senadora Soraya Thronicke e Heitor Freire Acendem Alerta para Eleições ao Senado em 2026

Traições na Direita: Senadora Soraya Thronicke e Heitor Freire Acendem Alerta para Eleições ao Senado em 2026

Resumo

Casos de traição na direita acendem alerta para eleições ao Senado

A cena política brasileira tem sido marcada por reviravoltas surpreendentes, especialmente entre aqueles que ascenderam impulsionados pela onda conservadora e pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. A fidelidade a pautas que outrora definiram suas trajetórias tem sido questionada, levantando um alerta para as futuras eleições, com foco especial no Senado.

Desde 2018, o cenário político viu a ascensão de diversos nomes associados à direita, que conquistaram cadeiras no Congresso com promessas de defender determinados valores. No entanto, o tempo tem revelado uma série de desvios, rupturas e adaptações que desafiam as expectativas de seus eleitores.

Esses movimentos geram apreensão sobre a real representatividade dos eleitos e acendem um debate sobre a fidelidade programática, especialmente em um momento onde o Senado é visto por parte do eleitorado como um contraponto a decisões do Supremo Tribunal Federal e um potencial agente de mudanças no país. Conforme informações divulgadas, essa dinâmica de “traição ao eleitorado direitista” já se repete desde 2019.

Soraya Thronicke: Da vice-liderança do governo Bolsonaro ao PSB

A senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), eleita em 2018 pelo PSL, partido de Jair Bolsonaro, e que chegou a ser vice-líder do governo no Congresso em 2021, protagonizou uma guinada que gerou forte repercussão. Em 2021, ela afirmava: “As pautas que nos elegeram, o presidente Bolsonaro e eu, são as mesmas, e sempre me mantive fiel a elas”.

No entanto, sua trajetória tomou novos rumos. Durante a CPI da Pandemia, Thronicke começou a se distanciar do ex-presidente. Em 2022, lançou candidatura própria à Presidência, afastando-se de pautas defendidas por seus eleitores de 2018. Atualmente filiada ao PSB, partido de esquerda, a senadora votou em abril de 2026 contra o relatório final da CPI do Crime Organizado, que pedia o indiciamento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Heitor Freire: De pedido de cassação do PT a cargo no governo Lula

Outro caso emblemático é o de Heitor Freire (Podemos-CE), eleito deputado federal em 2018 como um defensor ferrenho de Jair Bolsonaro, definindo-se como “cristão, conservador, armamentista e bolsonarista”. Em 2019, ele chegou a pedir a cassação do registro do PT na Justiça Eleitoral.

Sua trajetória mudou após o racha do PSL em 2019. Freire foi envolvido em polêmicas, como a acusação de ter vazado um áudio de Bolsonaro, e prestou depoimento no inquérito das Fake News. Em 2023, foi nomeado para uma diretoria na Sudene, órgão ligado ao governo do presidente Lula, em um acordo que envolveu seu então partido, o União Brasil.

Joice Hasselmann e Alexandre Frota: Rupturas e novas filiações

Joice Hasselmann, que obteve mais de 1 milhão de votos em 2018, tornando-se a deputada federal mais votada da história para uma mulher, também teve uma trajetória de rupturas. Após ser líder do PSL na Câmara, denunciou o chamado “gabinete do ódio”. Migrou para o PSDB, depois para o Podemos, e em 2024 tentou, sem sucesso, ser eleita vereadora em São Paulo.

Alexandre Frota, eleito em 2018 pelo PSL, rompeu rapidamente com Bolsonaro e foi expulso do partido em 2019. Após passar pelo PSDB, declarou apoio a Lula no segundo turno das eleições de 2022, com a famosa foto “fazendo o L”. Em 2024, filiou-se ao PDT, partido de esquerda, e tornou-se vereador em Cotia (SP).

Nereu Crispim e a judicialização contra o STF

Eleito deputado federal em 2018 pelo PSL do Rio Grande do Sul, Nereu Crispim tinha forte alinhamento com o governo Bolsonaro até abril de 2021. Ligado à pauta dos caminhoneiros, votou com o governo em temas importantes. Contudo, passou a acusar Bolsonaro de frustrar os caminhoneiros e trabalhar “para banqueiro e investidor”.

Em 2022, Crispim foi além, ao entrar no STF para tentar barrar a CPI do Abuso de Autoridade, proposta para investigar ministros do Supremo e do TSE. Sua tentativa de reeleição, no mesmo ano, foi derrotada.

Pacheco e Alcolumbre: O comando do Senado e pautas direitistas barradas

Embora não tenham surgido na onda bolsonarista, Rodrigo Pacheco (PSB-MG) e Davi Alcolumbre (UNIÃO-AP) ascenderam ao comando do Senado com apoio da direita e de arranjos políticos. Pacheco, eleito presidente da Casa em 2021 com apoio de Bolsonaro, posteriormente arquivou um pedido de impeachment de Alexandre de Moraes. Em 2023, foi reeleito com apoio de Lula.

Alcolumbre também presidiu o Senado no início do mandato de Bolsonaro e, em 2025, retornou ao cargo sob o governo Lula. Ambos, ao longo de seus mandatos, foram vistos como barreiras para a aprovação de pautas defendidas pela direita contra o que consideram “abusos do STF”.

A repetição desses casos de desvio de rota política e a aparente desconsideração com as promessas de campanha levantam um questionamento crucial para o futuro da representação política na direita brasileira, especialmente com vistas às eleições de 2026.

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