Câmara esconde lista de passageiros de voo da FAB de Arthur Lira para Angra dos Reis no Réveillon

Câmara esconde lista de passageiros de voo da FAB de Arthur Lira para Angra dos Reis no Réveillon

Resumo

Câmara dos Deputados impõe sigilo em voo da FAB com Arthur Lira para Angra dos Reis no Réveillon

A Câmara dos Deputados tomou a decisão de colocar sob sigilo a lista de passageiros de um voo da Força Aérea Brasileira (FAB). A aeronave foi utilizada pelo presidente da Casa, Arthur Lira (Republicanos-PB), para viajar e passar o Réveillon em Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro.

A negativa de acesso à informação ocorreu mesmo após um pedido formal realizado através da Lei de Acesso à Informação (LAI). A medida levanta debates sobre a transparência na gestão pública e o uso de recursos federais em deslocamentos de autoridades.

A informação foi divulgada inicialmente pelo jornal O Globo, que apurou os detalhes da viagem. A Câmara alegou razões de segurança institucional para justificar o sigilo, o que tem gerado críticas por parte de órgãos de controle e da sociedade civil.

Detalhes da Viagem e Justificativa da Câmara

O jatinho da FAB partiu de João Pessoa, na Paraíba, no dia 26 de dezembro, com destino ao Rio de Janeiro, onde pousou no aeroporto Santos Dumont. A bordo, estavam 11 passageiros, incluindo o presidente Arthur Lira. A solicitação do uso da aeronave oficial foi feita pela Presidência da Câmara, que invocou prerrogativas institucionais.

Durante o período de Réveillon, Arthur Lira e seus acompanhantes permaneceram hospedados em um condomínio de luxo em Angra dos Reis. O local é conhecido por sua estrutura exclusiva, que inclui acesso a uma cachoeira por trilha dentro do próprio empreendimento.

Em resposta a um pedido de informação com base na LAI, a Câmara dos Deputados afirmou que o uso das aeronaves da FAB é justificado por razões de segurança institucional. Segundo a justificativa apresentada, essas razões “impõem a necessidade de classificação sigilosa das informações”.

Precedentes e Críticas ao Uso de Aeronaves Oficiais

Não é a primeira vez que a Câmara dos Deputados utiliza a justificativa de segurança para negar acesso a informações sobre voos. Recentemente, a Casa também negou acesso a dados de outro voo em dezembro do ano passado, que levou Arthur Lira a Buenos Aires para participar de um evento jurídico promovido pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A legislação brasileira permite que autoridades requisitem aeronaves da FAB para deslocamentos, inclusive fora da agenda oficial, quando alegam motivos de segurança. No entanto, a prática é frequentemente alvo de críticas sob o ponto de vista ético, especialmente quando há indícios de uso de recursos públicos para viagens com caráter pessoal ou de lazer.

A falta de transparência em relação a esses voos dificulta o escrutínio público e alimenta o debate sobre a necessidade de maior controle no uso de bens e serviços públicos por parte de representantes eleitos, buscando garantir que o dinheiro do contribuinte seja utilizado de forma responsável e estritamente para fins institucionais.

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