Esquerdogata reaparece e se defende de acusações após prisão: “Não cometi racismo, foi crítica social”
A influenciadora Aline Bardy Dutra, conhecida como Esquerdogata, quebrou o silêncio após meses afastada das redes sociais e de uma internação psiquiátrica. Em um vídeo divulgado em seu Instagram, ela se pronunciou pela primeira vez de forma mais extensa sobre o incidente que resultou em sua prisão em outubro de 2025, no interior de São Paulo.
Durante a abordagem policial, Aline foi presa por desacato e racismo. Agora, ela admite ter cometido o crime de desacato, alegando ter resistido a uma ordem de prisão. No entanto, a influenciadora refuta veementemente a acusação de injúria racial, argumentando que não teve a intenção de ofender o policial militar, que é negro.
A versão de Aline Bardy Dutra, conforme divulgado por fontes, é que sua fala sobre o policial ser negro abordando outro negro foi uma “crítica social” e um “lamento pela violência institucional e ‘intrarracial'”. Ela explicou que o desacato ocorreu no momento em que o policial deu voz de prisão por injúria racial, o que a levou a “surtar” por acreditar não ter cometido o crime.
Desabafo e justificativas da influenciadora
A influenciadora também abordou as acusações de classismo, especialmente após ter perguntado ao policial se ele conhecia a Europa e ter afirmado que o valor de suas sandálias era o mesmo da viatura policial. Ela classificou suas falas como um ato de desespero, com o “poder de decisão afetado pelo álcool”, e não como uma ofensa de cunho financeiro.
“Economicamente, eu e o policial estamos no mesmo nível”, declarou Aline, que possui uma loja virtual e ocupava o cargo de professora infantil no município. Ela expressou profunda decepção consigo mesma pelas palavras ofensivas ditas ao policial, afirmando que seu sentimento foi ainda maior do que qualquer desapontamento que ele pudesse ter sentido.
Ainda que admita seus erros e se comprometa a responder judicialmente pelos fatos, acatar a decisão da justiça e pedir desculpas ao policial, Aline Bardy Dutra manteve um tom crítico em relação às autoridades. Ela relatou que seu celular foi apreendido sem motivo e que foi impedida de usar o banheiro na delegacia, o que a levou a urinar na própria roupa.
Relembrando os fatos e a versão oficial
As informações sobre o caso foram inicialmente divulgadas em outubro de 2025 por diversos veículos. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) confirmou que uma mulher de 45 anos foi presa por desacato, resistência e preconceito de raça e cor após desacatar policiais militares durante uma fiscalização de trânsito em Ribeirão Preto. Na ocasião, a SSP informou que a mulher passou a resistir e ofender os agentes, inclusive com ofensas raciais.
A abordagem, segundo relatos, teria ocorrido após Aline presenciar um PM negro abordar um outro homem negro, e ela teria começado a filmar os agentes, acusando-os de abordarem o homem por ser negro. Vídeos da ocasião mostram Aline aparentando estar sob efeito de substâncias e com a fala alterada.
Após a prisão, Aline foi levada à delegacia e, posteriormente, liberada com a condição de tratamento psiquiátrico e o cumprimento de medidas cautelares, como o recolhimento domiciliar noturno. Na época, a reportagem tentou contato com a influenciadora sem sucesso.
Posicionamento da defesa e filiação partidária
Os advogados de defesa de Aline Bardy Dutra divulgaram um comunicado à imprensa informando o arrependimento e constrangimento da influenciadora, mas também buscaram justificar o incidente alegando que a Polícia Militar de São Paulo por vezes comete excessos.
Aline era filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde maio de 2022. Após o incidente, o diretório do partido iniciou um processo para desligá-la, embora não haja informações sobre o andamento deste processo nem comentários da própria influenciadora sobre o assunto. Ela nunca exerceu funções no partido, apesar de filiada.
Afastada de seu cargo como educadora infantil, Aline mantém uma loja online onde se apresenta como “comunicadora, professora e militante política” com expressiva base de seguidores. Ela se descreve como “referência em análises críticas, conteúdos sobre política e debates que unem informação e mobilização”.
Durante seu período de afastamento, Aline Bardy Dutra publicou um áudio em 22 de novembro, data da prisão de Jair Bolsonaro, celebrando o evento. Na publicação, ela expressou “A democracia venceu e o Bolsonaro? O Bolsonaro foi para a Papuda, é alegria demais”, demonstrando desconhecer o local exato da custódia na época.