Colômbia em Alerta: Eleição Decisiva Sob Sombra da Violência e Crise com EUA

Colômbia em Alerta: Eleição Decisiva Sob Sombra da Violência e Crise com EUA

Resumo

Colômbia vive momento crucial com eleições presidenciais marcadas pela escalada da violência e tensões internacionais.

A Colômbia se prepara para um primeiro turno eleitoral decisivo neste domingo (31), em um contexto onde a violência tem sido uma constante durante a gestão do presidente Gustavo Petro. As pesquisas indicam o senador Iván Cepeda, apoiado pelo atual governo, na liderança, mas com projeções de segundo turno favoráveis à direita.

Cenários recentes mostram Cepeda atrás de nomes como Abelardo de la Espriella e Paloma Valencia, ambos com discursos focados na segurança pública. A preocupação com a violência é palpável entre os eleitores colombianos, refletindo um aumento preocupante nos índices de criminalidade.

Relatórios de organizações como o InSight Crime confirmam o agravamento da situação. Taxas de homicídios que já eram consideradas epidêmicas pela OMS permanecem elevadas, e os confrontos entre grupos criminosos se intensificaram, especialmente em 2025, afetando metade dos departamentos do país. Conforme informação divulgada pelo InSight Crime, “em pelo menos metade dos departamentos [equivalentes a estados] da Colômbia, houve um aumento nos confrontos entre esses grupos em 2025”.

Aumento da Violência e Impacto Político

O clima de insegurança se manifesta em eventos trágicos que chocaram o país. O senador Miguel Uribe Turbay, do partido de Paloma Valencia, foi vítima de um atentado em junho do ano passado, falecendo dois meses depois. Grupos guerrilheiros foram apontados como responsáveis pela sua execução.

Outros ataques, como uma bomba no departamento de Cauca que deixou 20 mortos e 36 feridos, e os assassinatos de membros da equipe de campanha de Espriella e do jornalista Mateo Pérez Rueda, reforçam o cenário de instabilidade. Esses episódios elevam a demanda por respostas firmes à violência, favorecendo candidaturas com propostas mais duras no combate ao crime.

Paz Total e a Realidade do Narcotráfico

A política de “Paz Total” proposta por Petro, que visa negociar acordos com grupos armados, não tem apresentado avanços significativos. Paralelamente, o tráfico de drogas, principal fonte de financiamento desses grupos, registrou um aumento alarmante.

Um relatório do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) de outubro de 2024 revelou um crescimento de 10% nas áreas de cultivo de coca em 2023, alcançando 253 mil hectares. A produção de cocaína saltou 53%, chegando a 2.664 toneladas. Conforme informação divulgada pelo UNODC, “as áreas de cultivo de coca na Colômbia cresceram 10% em 2023, atingindo 253 mil hectares, e a produção de cocaína chegou a 2.664 toneladas, um aumento de 53%”.

Tensões com os Estados Unidos e o Futuro Político

A persistência do narcotráfico levou a sanções econômicas dos Estados Unidos contra Petro e membros de seu governo em outubro do ano passado. A alegação foi de que Bogotá permitiu o florescimento dos cartéis de drogas. Apesar de uma aparente melhora nas relações após um encontro com Donald Trump, investigações nos EUA sobre o suposto envolvimento de Petro com narcotraficantes surgiram em março, segundo o The New York Times.

Esse cenário de instabilidade e a busca por ordem podem impulsionar uma virada à direita, repetindo fenômenos recentes em outros países sul-americanos. “A violência desloca o debate público. Temas como inclusão, desigualdade e reformas estruturais perdem espaço para uma demanda mais imediata por ordem e controle”, explica Eduardo Galvão, professor de políticas públicas do Ibmec de Brasília, à Gazeta do Povo.

A Demanda por Segurança Define o Voto

A percepção de deterioração da segurança leva o eleitorado a valorizar propostas de ação rápida e firme. “Quando o eleitorado passa a perceber deterioração da segurança, tende a valorizar propostas de resposta rápida e firme, o que historicamente favorece candidaturas associadas a agendas mais duras no combate ao crime”, complementa Galvão.

A disputa presidencial na Colômbia, portanto, se desenha em um campo minado, onde a questão da segurança pública emerge como o principal fator decisivo para o eleitorado, moldando o futuro político do país.

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