Crise Yanomami: O Que Lula Prometeu e o Que Aconteceu nos Seus Primeiros Anos de Governo
Ao assumir seu terceiro mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez promessas enfáticas para resolver a crise humanitária enfrentada pelo povo Yanomami. Ele utilizou a palavra “genocídio” com frequência para descrever a situação, apontando o governo anterior como o principal responsável e garantindo ações imediatas.
Lula assegurou que a tragédia em Roraima seria combatida com medidas emergenciais e que o “genocídio” seria interrompido. No entanto, dados oficiais do Ministério da Saúde revelam um cenário preocupante: o número de mortes Yanomami nos primeiros três anos da gestão petista superou o registrado no mesmo período do governo de Jair Bolsonaro.
Apesar das declarações e das ações anunciadas, os números oficiais indicam que a promessa de acabar com as mortes e a crise humanitária ainda não se concretizou. Conforme informações divulgadas pelo Ministério da Saúde, o contraste entre o discurso e a realidade dos dados de saúde e fiscalização é um ponto central na análise da situação Yanomami.
Lula e a Declaração de “Genocídio” contra os Yanomami
Em janeiro de 2023, após visitar Roraima, Lula classificou a situação dos Yanomamis como um “genocídio”, um “crime premeditado contra os Yanomami, cometido por um governo insensível ao sofrimento do povo brasileiro”. Ele relatou ter encontrado adultos em estado de desnutrição severa e crianças com peso de infantes, além de casos de malária e diarreia.
O presidente atribuiu diretamente a Jair Bolsonaro a responsabilidade pela tragédia, destacando o **garimpo ilegal** como a principal causa. Desde o início de sua gestão, Lula tem cobrado punição para o ex-presidente e reforçado o compromisso de que “não haverá garimpo ilegal em terra indígena”.
A Realidade dos Dados: Mortes Yanomami Aumentam sob Governo Lula
Contrariando as promessas, os dados do Ministério da Saúde mostram um aumento no número de óbitos Yanomami. Entre 2023 e 2025, foram registrados **1.138 mortes**, enquanto nos três primeiros anos do governo Bolsonaro o número foi de 951. O governo federal tenta justificar a diferença pela subnotificação em anos anteriores, mas os números oficiais da gestão petista são superiores.
As principais causas de morte continuam sendo problemas que Lula prometeu combater. Foram **219 óbitos por infecções respiratórias agudas**, **104 por desnutrição** e **47 por malária** nos primeiros três anos do governo atual. Isso demonstra a persistência dos desafios na saúde indígena.
Combate ao Garimpo e Desafios Logísticos Persistem
Embora o governo federal tenha realizado operações de fiscalização, apreensões e destruição de equipamentos contra o garimpo ilegal, a atividade **não desapareceu**. Relatórios do Senado indicam que a presença de garimpeiros ilegais e grupos criminosos armados ainda dificulta o controle do território Yanomami pelo Estado.
A promessa de levar equipes médicas permanentes às comunidades para evitar que os indígenas precisem se deslocar para buscar tratamento também enfrenta obstáculos. A dependência do **transporte aéreo** para remoções médicas e abastecimento de medicamentos continua sendo um problema logístico grave, como apontado por documentos do Senado.
Mudança de Discurso e a Longa Batalha contra o Crime Organizado
Em janeiro de 2024, um ano após sua visita a Roraima, Lula já falava em uma “guerra permanente contra o garimpo ilegal, o vandalismo, contra os agressores do meio ambiente e o crime organizado”. A promessa de uma solução rápida deu lugar à ideia de uma **batalha de longo prazo** contra invasores e organizações criminosas.
No final de 2025, o discurso do presidente sobre os Yanomami mudou. Em vez de denúncias de “genocídio” e promessas de solução instantânea, Lula passou a usar a cultura e as crenças do povo indígena em seus pronunciamentos, especialmente em temas ambientais e na agenda da COP30. A crise, que Lula prometeu interromper, continuava fazendo vítimas ao final do terceiro ano de seu governo.