Esquerda gaúcha em busca de união: PT e PDT negociam alianças para eleições 2026, enquanto direita consolida Zucco
O cenário político do Rio Grande do Sul para as próximas eleições está em ebulição. Enquanto a direita, representada pelo PL e Novo, articula a pré-candidatura de Luciano Zucco (PL) ao governo do estado, a esquerda busca uma união estratégica entre PT e PDT. A possibilidade de uma chapa conjunta para o Executivo e o Senado ganha força, mas o PT mantém a tendência de lançar candidatura própria no primeiro turno, ecoando divisões históricas entre lulistas e brizolistas.
A neta de Leonel Brizola, Juliana Brizola (PDT), tem sido peça chave nas negociações. Em fevereiro, ela se reuniu com o presidente Lula, sinalizando o interesse em uma coligação. O PDT já ofereceu ao PT a vaga de vice-governador e apoio à chapa petista ao Senado, que poderia incluir nomes como Paulo Pimenta (PT) e Manuela D’Ávila (PSOL). Essa articulação nacional da esquerda, com aval de Lula e liberação de ministros, visa conter o avanço conservador.
Por outro lado, o PT gaúcho lançou a pré-candidatura de Edegar Pretto ao governo, atual presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Pretto já demonstrou força nas eleições de 2022, ficando em terceiro lugar em uma disputa acirrada pelo segundo turno. Conforme levantamento do Futura Inteligência, divulgado em 19 de fevereiro, Pretto teria 31,3% das intenções de voto contra 40,2% de Zucco em um eventual segundo turno. As informações são do Futura Inteligência, que ouviu 800 pessoas entre 9 e 10 de fevereiro, com margem de erro de 3,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95% (Registro TSE nº RS-03300/2026).
Direita mira união com Zucco e Sanderson
A articulação da direita no Rio Grande do Sul caminha para a consolidação da chapa majoritária. A pré-candidatura de Luciano Zucco (PL) ao governo é encabeçada pela união com o Novo. Para o Senado, a direita planeja formar uma chapa com os deputados federais Marcel Van Hattem (Novo) e Ubiratan Sanderson (PL), buscando fortalecer sua representação na casa legislativa.
Juliana Brizola e a busca por um campo democrático
Juliana Brizola expressou otimismo quanto à formação de uma aliança de esquerda no estado, ressaltando a importância de dialogar com todas as forças democráticas. “Venho dialogando com todas as forças do campo democrático, deixando de lado vaidades e disputas ideológicas para enfrentar, com seriedade, as dores da nossa população”, afirmou a pedetista. Ela demonstra respeito ao tempo do PT para definir sua estratégia eleitoral.
Edegar Pretto mantém pré-candidatura e aposta em capital político
O PT do Rio Grande do Sul reafirma a pré-candidatura de Edegar Pretto ao governo, com o objetivo de intensificar a campanha através de caravanas pelo estado. A decisão está alinhada com a presidência nacional do partido. Pretto obteve 26,77% dos votos válidos em 2022, uma performance que o credencia para a disputa atual. A pesquisa Futura Inteligência aponta Zucco com 40,2% e Pretto com 31,3% em um possível segundo turno.
Pesquisa aponta equilíbrio entre Zucco e Juliana Brizola em simulação
Em uma simulação de segundo turno para o governo do Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL) e Juliana Brizola (PDT) aparecem tecnicamente empatados. A pedetista detém 39,9% das intenções de voto, enquanto Zucco soma 37,7%. Contra Edegar Pretto (PT), Juliana Brizola apresenta uma vantagem de 37,3% contra 25,9%. A pesquisa destaca a polarização e a fluidez do eleitorado gaúcho.
Histórico de alianças e divisões na esquerda brasileira
A relação entre Leonel Brizola e Lula remonta à disputa pela liderança da esquerda brasileira no final dos anos 1980. Após seu exílio, Brizola emergiu como forte nome, liderando pesquisas para a presidência em 1989. Com a fundação do PT, Lula passou a competir por espaço, gerando atritos públicos. Em 1994, Brizola e Lula dividiram votos da esquerda, e em 1998, Brizola foi vice de Lula, sem êxito contra Fernando Henrique Cardoso.