Enviado de Trump chama brasileiras de “raça maldita”; Janja e Ministério das Mulheres reagem com indignação
O empresário italiano Paolo Zampolli, que atua como enviado especial para Alianças Globais no governo do ex-presidente Donald Trump, causou polêmica ao fazer declarações consideradas ofensivas e discriminatórias contra as mulheres brasileiras. Em entrevista à emissora italiana RAI, Zampolli afirmou que elas são “programadas para fazer confusão” e as classificou como uma “raça maldita”.
As declarações, exibidas no programa investigativo Report, rapidamente repercutiram no Brasil, provocando reações veementes da primeira-dama, Janja da Silva, e do Ministério das Mulheres. Ambos repudiaram as falas do enviado de Trump, classificando-as como inaceitáveis e reforçando a luta contra a misoginia e o racismo.
As ofensas de Zampolli surgiram em meio a acusações feitas por sua ex-companheira, a brasileira Amanda Ungaro, com quem manteve um relacionamento de cerca de 20 anos. Ao comentar as alegações de Ungaro, Zampolli proferiu as declarações que chocaram o país. Conforme informações divulgadas, ele declarou que “as mulheres brasileiras são programadas para criar problemas” e que “essas raças malditas brasileiras são todas iguais”.
Janja repudia “discurso de ódio” e defende dignidade das brasileiras
A primeira-dama, Janja da Silva, expressou sua indignação nas redes sociais, classificando as falas de Zampolli como um “discurso de ódio”. Ela ressaltou que as mulheres brasileiras “rompem diariamente ciclos de violência e silenciamento” e que não são “programadas para nada”.
“Somos pessoas com voz, com sonhos e lutamos diariamente para viver com dignidade e liberdade para sermos quem quisermos”, escreveu Janja, em uma clara defesa da autonomia e do valor das mulheres do Brasil diante de generalizações preconceituosas. A declaração de Zampolli foi amplamente criticada como misógina e racista.
Ministério das Mulheres condena “misoginia” e “discurso de ódio”
O Ministério das Mulheres também emitiu uma nota oficial repudiando veementemente as declarações do enviado de Trump. A pasta considerou que as falas de Zampolli “reforçam discurso de ódio e desvalorizam mulheres brasileiras, em afronta à dignidade e ao respeito”.
A nota enfatizou que “a misoginia não constitui opinião. Trata-se de manifestação de ódio, aversão e incitação à violência, configurando prática criminosa”. O ministério se posicionou firmemente contra qualquer forma de discriminação e reafirmou o compromisso com a proteção e a valorização das mulheres.
Entrevista expõe acusações contra Zampolli e relações controversas
A entrevista de Paolo Zampolli foi ao ar em um contexto de investigação da televisão italiana sobre suas relações com figuras internacionais, incluindo o controverso Jeffrey Epstein, e sua proximidade com Donald Trump. Durante o programa, Zampolli negou as acusações de sua ex-companheira Amanda Ungaro.
Ungaro, por sua vez, denunciou episódios de violência física, psicológica e sexual por parte de Zampolli ao longo do relacionamento. Ela também o relacionou à sua deportação dos Estados Unidos, alegando uso de influência política. Zampolli anunciou medidas judiciais contra quem divulgou informações que considera falsas ou difamatórias sobre o caso.
Zampolli anuncia ações judiciais após repercussão das falas
Após a exibição da reportagem e a repercussão negativa de suas declarações, Paolo Zampolli utilizou suas redes sociais para informar que iniciou ações judiciais nos Estados Unidos, Itália e Brasil. Ele alega que pessoas, empresas e perfis divulgaram conteúdos falsos, enganosos ou difamatórios a seu respeito.
O enviado de Trump também advertiu que veículos de imprensa e indivíduos que republicarem tais alegações poderão ser incluídos em processos coletivos. A medida visa, segundo ele, combater a disseminação de informações consideradas inverdadeiras sobre as acusações e seu relacionamento com Amanda Ungaro.