Erika Hilton denuncia Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira por incitação a golpe de Estado
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) apresentou uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) nesta segunda-feira (5). A parlamentar acusa o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) de defenderem publicamente a **apologia ao crime de golpe de Estado**.
A base da denúncia são postagens divulgadas pelos parlamentares em redes sociais. Segundo Erika Hilton, as publicações sugerem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deveria ter o mesmo destino do ditador venezuelano Nicolás Maduro, implicando uma possível **prisão após uma intervenção militar dos Estados Unidos**.
A representação visa apurar se as ações dos deputados configuram crime contra a democracia e a soberania nacional. A PGR poderá instaurar um inquérito para investigar as acusações, com eventual denúncia a ser julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Os casos de crimes contra a democracia têm sido direcionados ao ministro Alexandre de Moraes por prevenção.
As postagens em questão
A representação de Erika Hilton cita especificamente uma publicação de Flávio Bolsonaro. Na postagem, o senador escreve: “Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas…”. A deputada interpreta essa fala como uma insinuação de que Lula seria **desmascarado e preso**.
No caso de Nikolas Ferreira, a deputada aponta para três postagens no Instagram. Uma delas exibe uma imagem de Maduro e Lula com a legenda: “Super promoção: prenda 1, leve 2”. Outra montagem mostra Lula sendo detido por agentes americanos, com a frase “oi, Deus”. Uma terceira postagem afirma que “agora é só o Maduro dedurar o Lula”.
Soberania nacional em xeque, segundo a denúncia
Erika Hilton argumenta que as postagens representam uma **defesa pública e simbólica da submissão do Brasil a uma jurisdição estrangeira**. Ela considera que tais atos, praticados por agentes políticos com mandato popular, violam diretamente a soberania nacional e os deveres inerentes ao cargo parlamentar.
A deputada enfatiza que a divulgação de tais conteúdos por figuras públicas pode **incitar o descrédito nas instituições democráticas** e gerar instabilidade política no país. A representação busca responsabilizar os parlamentares por suas manifestações, consideradas pela denunciante como **extremamente graves e atentatórias à ordem constitucional**.
O que pode acontecer agora
Com a representação formalizada, cabe à Procuradoria-Geral da República analisar as evidências e decidir se há indícios suficientes para a abertura de um inquérito. Caso a PGR conclua pela existência de crimes, será oferecida uma denúncia ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O STF, por sua vez, decidirá se aceita a denúncia e instaura um processo contra Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira. A relatoria desses casos, que envolvem crimes contra a democracia, tem sido atribuída ao ministro Alexandre de Moraes, visando garantir a **coerência e a prevenção em investigações de temática semelhante**.