Argentina Pede Extradição de Maduro aos EUA para Julgamento por Crimes Contra a Humanidade Após Captura Surpresa

Argentina Pede Extradição de Maduro aos EUA para Julgamento por Crimes Contra a Humanidade Após Captura Surpresa

Resumo

MP da Argentina aciona Justiça para pedir extradição de Maduro por crimes contra a humanidade

O Ministério Público da Argentina deu um passo significativo nesta segunda-feira (5), ao solicitar formalmente à Justiça federal que inicie o processo para pedir a extradição de Nicolás Maduro aos Estados Unidos. O objetivo é que o atual líder venezuelano seja julgado no país sul-americano por crimes contra a humanidade, supostamente cometidos durante seu regime.

A ação judicial argentina busca aproveitar a recente detenção de Maduro pelas autoridades americanas. Segundo informações da agência EFE, o promotor Carlos Stornelli apresentou um documento ao juiz Sebastián Ramos, destacando que Maduro já possui uma ordem de prisão vigente na Argentina e um chamado para prestar depoimento em um processo ativo.

Carlos Stornelli classificou a situação como **urgente**, dada a atual condição de detido de Maduro. Ele solicitou a abertura imediata do procedimento de extradição ativa, visando submeter o ex-ditador venezuelano ao julgamento que tramita na Justiça argentina. O pedido ocorre apenas dois dias após a operação americana que culminou na captura de Maduro em solo venezuelano, no último sábado (3).

Maduro se declara inocente nos EUA e enfrenta processo na Argentina

Nicolás Maduro compareceu nesta segunda-feira, pela primeira vez, a um tribunal federal em Nova York, nos Estados Unidos. Lá, ele se declarou inocente das acusações de narcotráfico apresentadas pelo governo do presidente Donald Trump, que fundamentam sua prisão em território americano. Paralelamente, a Justiça argentina avança em seu próprio processo contra o líder venezuelano.

A ação judicial na Argentina teve início em 2023, a partir de uma denúncia formalizada pelo Fórum Argentino para a Defensa da Democracia (FADD). O caso se baseia no princípio da **jurisdição universal**, um conceito internacional que permite a um país processar crimes graves contra os direitos humanos, independentemente de onde ocorreram ou da nacionalidade das partes envolvidas.

Prisão e acusações de crimes contra a humanidade

Em setembro de 2024, o juiz Sebastián Ramos já havia determinado a prisão de Maduro, além de outras figuras importantes do regime chavista, como o ministro do Interior Diosdado Cabello. Posteriormente, a Câmara Federal argentina ordenou que a Interpol fosse comunicada sobre o pedido de captura internacional. A Justiça argentina alega que a cúpula do regime executou um **plano sistemático e organizado** contra a população civil.

As práticas apontadas incluem perseguição, sequestro, tortura e assassinato, caracterizando, segundo a denúncia, crimes contra a humanidade. O governo do presidente Javier Milei, da Argentina, tem sido um dos primeiros na região a manifestar apoio público à operação americana que resultou na captura de Maduro.

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