Foz do Iguaçu: Redução Histórica da Dengue em 2023, Mas Alerta Volta com Sorotipo DENV-3 Circulando no Paraná

Foz do Iguaçu: Redução Histórica da Dengue em 2023, Mas Alerta Volta com Sorotipo DENV-3 Circulando no Paraná

Resumo

Foz do Iguaçu fecha 2023 com expressiva redução de casos de dengue, mas alerta para novos riscos em 2024

A cidade de Foz do Iguaçu, no Paraná, encerrou o ano de 2023 com números que surpreenderam positivamente no combate à dengue. Após anos de epidemias severas, o município, historicamente endêmico para a doença, registrou uma redução drástica nos casos confirmados, marcando um período de alívio para a população. No entanto, a chegada de 2024 traz consigo a necessidade de manter a vigilância em alta, pois um novo sorotipo do vírus preocupa as autoridades de saúde.

O contraste é notável quando comparamos os dados recentes com os anos anteriores. Em 2023, Foz do Iguaçu registrou 1.031 casos confirmados de dengue, uma diminuição superior a 90% em relação a 2022, quando os diagnósticos ultrapassaram a marca de 14 mil. Esse resultado expressivo é fruto de um esforço conjunto entre o poder público municipal e estadual, com o apoio de importantes parceiros como a Fiocruz e a Itaipu Binacional.

O ano de 2023, contudo, foi precedido por um surto grave em 2022, com mais de 50 mil notificações e 26 mil casos confirmados de dengue, além de dezenas de óbitos e centenas de casos de chikungunya. A prefeitura atribui a atual diminuição da doença a ações de eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti, realizadas através de mutirões de limpeza. Conforme informação divulgada pela Secretaria de Saúde, a cidade começa o ano em alerta para a dengue, indicando que a vigilância e as ações de prevenção precisam continuar fortes para evitar a repetição de ciclos de surto no futuro.

O Método Wolbachia e a Imunidade da População como Aliados na Combate à Dengue

Especialistas apontam que a notável redução nos casos de dengue em Foz do Iguaçu em 2023 não se deve apenas às ações de combate aos criadouros. Outros fatores importantes incluem a aplicação do método Wolbachia e a imunidade da população a determinados sorotipos do vírus. O método Wolbachia utiliza mosquitos Aedes aegypti que carregam uma bactéria, a Wolbachia, impedindo que os vírus da dengue, zika e chikungunya se desenvolvam dentro do inseto, tornando-o incapaz de transmitir as doenças.

Biofábrica Libera Milhões de Mosquitos ‘Wolbitos’ em Foz do Iguaçu

A cidade conta com uma biofábrica que produz mosquitos com a bactéria Wolbachia, apelidados de “wolbitos”. Esses mosquitos são liberados em bairros estratégicos e se reproduzem com a população local, espalhando gradualmente a bactéria. O objetivo é que, com o tempo, a maioria dos mosquitos da cidade se torne incapaz de transmitir o vírus da dengue. Entre 2022 e 2023, mais de 26 milhões desses “mosquitos do bem” foram soltos em 13 bairros.

Sorotipo DENV-3 Preocupa e Última Circulação Predominante Foi Antes de 2008

A dengue é causada por um vírus com quatro sorotipos: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. A infecção por um sorotipo confere imunidade permanente apenas contra ele mesmo, o que significa que uma pessoa pode contrair dengue até quatro vezes. Infecções subsequentes por sorotipos diferentes aumentam o risco de formas mais graves da doença. O sorotipo DENV-3, em particular, é associado a quadros mais severos e tem sido motivo de preocupação. Este sorotipo está circulando no Paraná, com casos confirmados no estado. A última vez que o DENV-3 circulou de forma predominante no Brasil foi antes de 2008, e no Paraná, em 2016.

Vacinação Contra a Dengue Enfrenta Baixa Procura em Foz do Iguaçu

Nas primeiras semanas de 2024, Foz do Iguaçu já registrou 284 casos de dengue, sendo 197 prováveis. As altas temperaturas e chuvas frequentes do verão favorecem a reprodução do Aedes aegypti, reforçando a necessidade de vigilância contínua. As vacinas contra a dengue estão disponíveis para a faixa etária de 10 a 14 anos, mas a Secretaria de Saúde tem enfrentado baixa procura por parte dos pais e responsáveis. “A vacina é uma estratégia importante para a proteção da comunidade, contribuindo não apenas para a prevenção da infecção, mas também para a redução das complicações associadas à doença”, explicou Érica Ferreira de Souza, supervisora técnica da Vigilância Epidemiológica de Foz do Iguaçu.

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