A Geração Z e a ascensão da “Democracia do Eu Primeiro”: uma nova cara para a esquerda?
Dois eventos recentes no início de junho trouxeram à tona um debate antigo: por que a esquerda radical continua a atrair eleitores, mesmo com o histórico de falhas em experiências passadas? Um painel sobre os primeiros 150 dias de Eric Adams como prefeito de Nova York, capital do capitalismo, e um artigo da The Economist sobre o “Socialismo da Geração Z” lançam luz sobre as novas dinâmicas.
O que a revista The Economist denomina “Socialismo da Geração Z” é, segundo alguns analistas, uma “Democracia da Vagabundagem”, marcada por uma doutrina do “eu primeiro”. A Geração Z, nascida entre 1997 e 2012 e imersa na internet, parece motivada menos por ideologias coletivistas e mais por questões individuais e reações a eventos globais.
O artigo da The Economist cita Eric Adams como exemplo, indicando que eleitores jovens de esquerda em países desenvolvidos não são mais impulsionados pela conquista dos meios de produção. A influência de conflitos internacionais, como o de Gaza, e a disseminação de narrativas nas redes sociais parecem moldar as prioridades dessa geração, conforme aponta a análise. A informação é baseada em uma análise divulgada pela The Economist.
A influência de Gaza e o “Financiamento do Antissemitismo Global”
Um dos pilares dessa nova abordagem da esquerda, segundo a análise, é o que se descreve como “financiamento do antissemitismo global”. A disseminação de alegações de genocídio em Gaza, segundo essa perspectiva, gera votos para a esquerda ao culpar os judeus e desvia a atenção de crises econômicas e corrupção. É importante notar que, no caso de Eric Adams, ele recebeu apoio de eleitores judeus, evidenciando que a motivação não é puramente identitária. A Corte Internacional de Justiça não confirmou genocídio em Gaza, e o aumento populacional palestino desde 1948 é citado como contra-argumento à narrativa de genocídio.
Demagogia Populista e a Ilusão do “Grátis”
A “Democracia da Vagabundagem” se manifesta também na promessa de serviços “grátis”, como transporte e congelamento de aluguéis, financiados pela taxação de ricos. No entanto, a experiência demonstra que não existem serviços públicos verdadeiramente gratuitos. A fuga de capitais e a perda de investimentos são consequências recorrentes de políticas de taxação excessiva, como evidenciado pelo caso do Imposto de Solidariedade sobre a Riqueza na França e políticas semelhantes em outros países europeus e no Brasil. Governos não geram riqueza, apenas a distribuem, e a iniciativa privada é crucial para o crescimento econômico.
Desprezo pela Iniciativa Privada e a Sobrevivência da Esquerda
A nova safra da esquerda, representada pela Geração Z, demonstra um desprezo pela iniciativa privada e pela geração de empregos, preferindo benefícios governamentais e bolsas sociais. Essa postura ignora o papel fundamental do setor privado na criação de riqueza. A esquerda, para se manter relevante, tem passado por mutações, adaptando-se a novas realidades e narrativas, assim como um vírus que evolui para sobreviver.
O Antissemitismo como Vírus Evolutivo e a Lição da História
O antissemitismo, descrito como um vírus que evolui em suas formas, desde o ódio religioso até o racial e, mais recentemente, o político com narrativas sobre Israel, é um ponto de preocupação. A história mostra que o ódio que começa contra um grupo raramente se limita a ele. A ascensão de negros como nazistas e gays defendendo o Hamas são exemplos chocantes dessa evolução.
O Desafio Administrativo de Eric Adams e a Solução no Trabalho
O painel sobre Eric Adams em Nova York destacou a dualidade entre o prefeito ideológico e o administrador. As promessas de campanha, dependentes de dotações estaduais, podem levar a crises fiscais. A solução para os desafios urbanos e econômicos, tanto nos EUA quanto no Brasil, reside no trabalho, no incentivo à geração de riqueza, na atração de investimentos e no combate ao crime, premiando aqueles que agregam valor à sociedade. A habilidade administrativa, e não o populismo ideológico, é o que define o valor de um político.