Gilmar Mendes aponta grave infiltração do crime organizado na Alerj, Fux rebate críticas generalizadas ao Rio de Janeiro.
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), causou **grande repercussão** ao afirmar que, segundo um diretor da Polícia Federal, entre 32 e 34 deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) receberiam pagamentos provenientes da máfia do jogo do bicho.
A declaração ocorreu durante um julgamento que discute o modelo de escolha para o novo governador do Rio, após a renúncia e cassação de Claudio Castro. Gilmar Mendes pintou um cenário de **degradação institucional** no estado, com o crime organizado infiltrado no poder, citando também a recente prisão do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar.
As informações foram divulgadas pelo ministro em meio a debates sobre a governabilidade do Rio de Janeiro. Ele não especificou o nome do diretor da PF, mas o contexto sugere que poderia ser o atual superintendente, Andrei Rodrigues, que ainda não comentou o caso. A afirmação de Gilmar Mendes levanta sérias questões sobre a integridade das instituições fluminenses e a influência do crime organizado. Conforme informação divulgada pelo próprio ministro, ele teria ouvido de um diretor da PF que “entre 32 e 34” deputados da Alerj receberiam pagamentos da máfia do jogo do bicho.
Infiltração do crime organizado em pauta no STF
Outros ministros do STF também abordaram o tema da **infiltração do crime organizado** nos poderes estaduais do Rio de Janeiro. Alexandre de Moraes destacou que a ação em julgamento não poderia ser analisada isoladamente, mas sim como parte de um “grande esquema”. Nomes específicos envolvidos com atividades criminosas não foram mencionados pelos ministros.
Gilmar Mendes, ao detalhar o panorama, expressou sua preocupação: “Nós estamos vendo estes episódios a toda hora. O presidente da Assembleia, preso. Eu conversava com o diretor da Polícia Federal, que dizia que 32 ou 34 parlamentares da Assembleia recebem mesada do jogo do bicho. Deus tenha piedade do Rio de Janeiro. Isso não pode ser causa de decidir, mas é preciso ter isso como motivo”.
Luiz Fux defende o Rio de Janeiro e seus políticos
Em contraponto às graves acusações, o ministro Luiz Fux, carioca de nascimento, pediu a palavra para fazer uma **defesa enfática de seu estado**. Ele lamentou o que chamou de “manifestação de profundo descrédito em relação ao Rio de Janeiro de forma generalizada” e ressaltou a existência de bons representantes políticos.
“Eu sou carioca de nascença e eu verifiquei que houve uma manifestação de profundo descrédito em relação ao Rio de Janeiro de forma generalizada. (…) Há bons políticos no Estado do Rio de Janeiro, que representam o Estado na Câmara Federal. São excelentes políticos. De sorte que, se esses políticos tiverem que ir para o inferno, eles vão acompanhados de altas autoridades”, declarou Fux, defendendo a reputação do estado e de seus representantes.
Julgamento sobre eleição suplementar no Rio
O STF está em processo de julgamento desde quarta-feira (8) para definir o formato da eleição que preencherá o **mandato-tampão** do governo do Rio de Janeiro. O ministro Flávio Dino pediu vistas do processo, enquanto o placar atual aponta para a realização de eleições indiretas, com 4 votos a favor dessa modalidade.
A discussão sobre a escolha do novo governador ocorre em um momento delicado para o estado, marcado por escândalos e pela necessidade de estabilidade política. A decisão do STF terá impacto direto na condução política do Rio de Janeiro nos próximos anos.