Gilmar Mendes critica imprensa por "veredicto forjado" no caso Master e acusa vazamentos ilegais

Gilmar Mendes critica imprensa por “veredicto forjado” no caso Master e acusa vazamentos ilegais

Resumo

Gilmar Mendes acusa imprensa de “frenesi midiático” e “publicidade opressiva” no caso Master

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, emitiu fortes críticas a setores da imprensa durante seu voto sobre a prisão preventiva de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Mendes classificou a cobertura como um “frenesi midiático” e “publicidade opressiva”, definindo esta última como o julgamento antecipado de investigados pela mídia, com um viés condenatório, buscando impor ao Judiciário um “veredicto forjado” à opinião pública.

O magistrado acusou que essa prática tem se manifestado no caso Master, com a estigmatização de investigados alimentada por vazamentos ilegais. Ele mencionou especificamente reportagens de jornais como O Globo, Estadão e Metrópoles, que divulgaram informações sigilosas da investigação, incluindo um contrato milionário envolvendo o escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes e menções a Dias Toffoli encontradas no celular do empresário. Ambos os ministros negam irregularidades.

Conforme informação divulgada pelo STF, Gilmar Mendes traçou um paralelo entre a atuação da imprensa no caso Master e na Operação Lava Jato. Ele afirmou que, na Lava Jato, parte da mídia atuou como “assessoria de imprensa” da força-tarefa, reproduzindo acriticamente narrativas que visavam à “manipulação da opinião pública”. O ministro lamentou que essa mesma parcela da mídia não tenha feito um “mea culpa” sobre os “abusos” cometidos na Lava Jato.

Críticas à “deslegitimação” do STF e “ressentimento” midiático

Segundo Gilmar Mendes, esses setores da imprensa, ao ignorarem evidências, focam em uma narrativa de deslegitimação do STF. Ele sugere que isso pode ser motivado por um “ressentimento” com as decisões da Corte que frearam “criminosos métodos lavajatistas” e derrubaram o “circo midiático” que se formou em torno da operação.

O ministro considera que parte da mídia estaria operando em conjunto com atores do sistema de Justiça para reviver “métodos autoritários” semelhantes aos da Lava Jato. Ele denuncia a promoção do “linchamento moral” dos investigados no caso Master antes mesmo de qualquer julgamento técnico.

Vazamentos seletivos e proteção de dados sob ataque

Mendes destacou uma reportagem do Estadão que, horas após o início de um julgamento, publicou prints de mensagens trocadas entre Vorcaro e seu advogado, protegidas pelo sigilo advogado-cliente. Ele criticou o vazamento desses dados, que serviram ao “pré-julgamento do acusado” e à estigmatização negativa de sua defesa. O ministro chamou atenção para o fato de que a reportagem parecia ter acesso a detalhes mais aprofundados do que os próprios autos do processo, sugerindo um vazamento privilegiado.

Outro ponto levantado por Gilmar Mendes foi o vazamento de dados pessoais e íntimos de Vorcaro após o compartilhamento de informações com a CPMI do INSS. Para ilustrar a gravidade do que chamou de “circo midiático”, ele relembrou o trágico caso do reitor Luis Carlos Cancellier, que cometeu suicídio após ter sua reputação “aniquilada pela mídia” com base em acusações que se mostraram desproporcionais.

O papel do Judiciário como freio à “indignação coletiva”

Gilmar Mendes ressaltou que, embora a imprensa tenha o papel legítimo de fiscalizar o poder público, muitas vezes ela estabelece uma relação de dependência com delegados e promotores para obter “furos”. Isso resulta, segundo ele, em uma cobertura onde menos de 6% dos casos apresentam resultados favoráveis ao réu. O ministro concluiu que o Judiciário deve atuar como um espaço de contenção racional, impedindo que o processo penal seja capturado por impulsos momentâneos de indignação coletiva ou por pressões midiáticas.

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