Gilmar Mendes compara Lava Jato à Operação Master e a declara “maior escândalo judicial do mundo”.
O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), reiterou suas críticas à Operação Lava Jato, traçando um paralelo com as investigações envolvendo o Banco Master. Segundo Mendes, a Lava Jato, que começou como uma iniciativa de combate à corrupção, degenerou em um “maior escândalo judicial do mundo”.
As declarações foram feitas após a Segunda Turma do STF manter as prisões de familiares do dono do Banco Master. Mendes, que votou vencido pela prisão domiciliar do pai de Daniel do Vorcaro, comparou as práticas da Lava Jato às consideradas “autoritárias” e “espetaculosas” no caso Master.
O ministro alertou para o que chamou de “punitivismo inebriado” e o uso de prisões como meio para obter delações premiadas. Ele ressaltou que um juiz não pode agir como delegado de polícia, pois esse caminho pode levar a resultados indesejados, conforme já advertido por ele anteriormente.
Advertências sobre a Lava Jato e “sonhos judiciais”
Gilmar Mendes afirmou que seus votos vencidos servem como um “alerta” para evitar “sonhos ou aventuras” no sistema judiciário. Ele relembrou suas advertências sobre a Lava Jato, citando a Operação Spoofing, que expôs mensagens entre procuradores e o então juiz Sergio Moro, como prova de que a operação se tornou um grande escândalo.
“A Lava Jato é uma boa referência. Ali a gente começou como voto vencido e depois acabou como voto vencedor. Inicialmente, eram advertências que se faziam na linha de ‘não vamos por aí’. Me lembro de dizer: ‘Nós temos um encontro marcado com as prisões alongadas de Curitiba'”, declarou o ministro.
Rebate de Mendonça e “contornos de máfia” no caso Master
Durante o julgamento, o ministro André Mendonça, relator do caso Master, rebateu as comparações de Gilmar Mendes. Mendonça argumentou que o caso Master envolvia a “maior fraude financeira do nosso país” e não meros crimes de colarinho branco. Ele destacou que a investigação revelou “contornos de máfia” e “crime organizado mafioso”, com uso de armas e infiltração policial.
Mendonça ressaltou que o colegiado não estava julgando a Lava Jato, mas sim uma fraude de grande escala com características criminosas graves, distanciando-se da discussão sobre métodos de investigação em geral.
Crítica Ferrenha e Legado de Gilmar Mendes
Gilmar Mendes é conhecido por ser um crítico severo da Lava Jato, de Sergio Moro e do ex-procurador Deltan Dallagnol. Há um ano, o ministro destacou que seu combate à operação é um de seus principais legados, sendo ele a “primeira voz relevante” a apontar a suspeição de Moro.
Citando a canção “Non, je ne regrette rien” de Édith Piaf, Gilmar Mendes expressou que não se arrepende de suas posições. Ele relembrou um episódio em que aconselhou Moro a aproveitar a biblioteca do Senado para se instruir, em um momento de crítica à atuação de alguns parlamentares.
“As instituições são maiores que seus componentes atuais, graças a Deus é assim, porque a história tem seus ciclos e talvez a gente não esteja vivendo o melhor”, concluiu o ministro, reforçando a importância da resiliência institucional diante de desafios.