Fórum em Lisboa, promovido por Gilmar Mendes, registra queda significativa na presença de autoridades em meio ao caso Banco Master.
O 14º Fórum de Lisboa, apelidado de “Gilmarpalooza” por ser organizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, iniciou nesta segunda-feira (1º) com um cenário notavelmente esvaziado de autoridades em comparação com o ano anterior.
Apesar da afirmação de Gilmar Mendes de que o evento acadêmico não seria afetado pela investigação envolvendo o Banco Master, a presença de ministros do STF, governadores e membros do primeiro escalão do governo Lula sofreu uma redução expressiva.
Conforme informações divulgadas, a investigação sobre o Banco Master parece ter impactado a participação de figuras públicas no evento, contrariando as expectativas iniciais do ministro, que destacou o perfil acadêmico do fórum e a presença de renomados professores estrangeiros.
Redução expressiva na presença de ministros do STF e secretários do governo Lula
No ano passado, o Fórum de Lisboa contou com a participação de cinco ministros do STF, incluindo André Mendonça, atual relator do caso Master. Nesta edição, apenas Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes confirmaram presença, enquanto Flávio Dino cancelou sua participação de última hora devido a um acidente doméstico.
A crise no Supremo Tribunal Federal, desencadeada pela investigação do Banco Master, também levou à saída de Dias Toffoli da relatoria de um inquérito após menções a ele em um celular apreendido. Além disso, um contrato de R$ 129 milhões entre o escritório da família de Alexandre de Moraes e o Banco Master gerou controvérsia.
O primeiro escalão do governo Lula também demonstrou uma debandada. Se em 2025 o evento atraiu seis integrantes do alto escalão, a edição atual conta com apenas três representantes do governo federal, evidenciando um impacto direto das investigações e da conjuntura política.
Parlamentares mantêm presença, mas governadores e ministros do STJ diminuem participação
Em contrapartida à tendência de esvaziamento, a participação de parlamentares se manteve ou até aumentou. Neste ano, 18 congressistas confirmaram presença, superando os 16 do ano anterior, que incluíam o senador Ciro Nogueira, também investigado por suposta ligação com o Banco Master.
No entanto, a redução foi acentuada entre os governadores. Em 2025, quatro governadores foram palestrantes, enquanto nesta edição apenas o governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa, confirmou participação.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) também registrou uma diminuição, com 11 ministros presentes neste ano, contra 17 em 2025. Gilmar Mendes atribuiu a redução geral de autoridades ao ano eleitoral no Brasil, minimizando as ausências.
Gilmar Mendes aborda regulação de plataformas e “tecnofeudalismo” na abertura do evento
Na abertura do fórum, Gilmar Mendes destacou a importância da regulação de plataformas digitais e inteligência artificial, considerando-as essenciais para a preservação do regime democrático. Ele alertou sobre um “momento de inflexão na ordem global”, marcado por tensões no multilateralismo e o ressurgimento de nacionalismos.
O ministro apresentou o conceito de “tecnofeudalismo”, onde as big techs atuam como “novos senhores da terra”, concentrando poder econômico e informacional e subjugando os Estados, enquanto os cidadãos se tornam “servos digitais”.
A discussão sobre o poder das plataformas digitais e seus impactos na democracia foi um dos pontos centrais abordados por Gilmar Mendes, em um contexto marcado pela crise gerada pela investigação do Banco Master e suas ramificações no cenário político e jurídico brasileiro.