Ministra Gleisi Hoffman reage a suspensão de verba para escola de samba com enredo sobre Lula e alega “preconceito”
A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffman (PT-PR), criticou veementemente a recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU) para suspender um repasse de R$ 1 milhão destinado a uma escola de samba que terá o presidente Lula como tema de seu enredo em 2026.
Para a ministra, a decisão do TCU beira o preconceito, argumentando que a verba, proveniente da Embratur, sempre foi destinada ao financiamento de escolas de samba, como a Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba).
A declaração de Gleisi Hoffman surge após o TCU sugerir o bloqueio do repasse até que haja uma decisão de mérito sobre a denúncia de propaganda antecipada em favor do presidente. A notícia foi divulgada após consulta às fontes de conteúdo fornecidas.
TCU recomenda suspensão de repasse milionário para Carnaval de 2026
O Tribunal de Contas da União (TCU) acatou uma denúncia que questiona a destinação de R$ 1 milhão em recursos públicos para o Carnaval do Rio de Janeiro em 2026. A preocupação central reside na possibilidade de o enredo da escola de samba configurar propaganda antecipada em benefício do presidente Lula.
A recomendação do TCU é para que o repasse seja suspenso cautelarmente, até que o mérito da questão seja julgado. A verba em questão foi destinada via termo de colaboração com o objetivo de promover o Brasil no exterior, mas parlamentares apontam que parte dos recursos pode beneficiar uma agremiação que exaltará o atual presidente, potencial candidato nas próximas eleições.
Denúncia foca em “Acadêmicos de Niterói” e possíveis sinais de campanha eleitoral
A denúncia que motivou a recomendação do TCU refere-se especificamente ao samba-enredo da escola Acadêmicos de Niterói. Segundo o partido Novo, autor da representação, elementos do tema, como o uso do número 13, que é uma marca associada às campanhas do PT, podem caracterizar propaganda antecipada.
A alegação é que o uso desses elementos em um evento de grande visibilidade como o Carnaval, com financiamento público, configura uma promoção indevida do presidente. A orientação do TCU sugere a adoção de medida cautelar para suspender o repasse de R$ 1 milhão, caso o valor ainda não tenha sido transferido.
Gleisi Hoffman defende histórico de financiamento e critica “preconceito” do TCU
Em sua manifestação, Gleisi Hoffman destacou que a Embratur tem um histórico de financiamento à Liesa e que a decisão de realizar um enredo sobre Lula é uma prerrogativa da própria agremiação. A ministra classificou a recomendação de suspensão como um ato de “preconceito”, sugerindo que a análise do TCU ultrapassa a esfera técnica e adentra em questões ideológicas.
A ministra afirmou não ter discutido a decisão do TCU internamente no governo, mas deixou clara sua posição contrária à medida. Para ela, a agremiação tem seus próprios critérios para a escolha de seus temas e que o financiamento público não deveria ser um impeditivo para a celebração de figuras políticas ou históricas.