Farsa Arqueológica Revelada: Homem é Condenado por Criar Anfiteatro Grego Falso na Itália
Um caso inusitado de fraude histórica chocou a Itália, onde um homem foi preso e condenado por construir um falso anfiteatro de aparência antiga e enganar turistas por anos. Franco Malosso, conhecido também como Franz von Rosenfranz, ergueu a estrutura em Arcugnano, perto de Vicenza, apresentando-a como um sítio arqueológico grego genuíno e cobrando dos visitantes pela visita.
A obra, que utilizava materiais modernos como pedra recém-extraída, cimento e gesso, mas que foram artificialmente envelhecidos para dar a impressão de antiguidade, chamou a atenção das autoridades após uma investigação iniciada em 2016. A farsa, que chegou a receber avaliações de cinco estrelas no TripAdvisor, ligava o falso local a figuras históricas como Júlio César e Cleópatra.
Segundo documentos judiciais citados pela CNN, Malosso obteve a autorização para construir uma garagem no local, que fica em uma área de paisagem protegida. A investigação rápida e a condenação em 2019, confirmada pela mais alta instância da justiça italiana, resultaram em uma pena de 28 meses de prisão, além de multa e despesas judiciais. A justiça determinou ainda a demolição da estrutura e a recuperação da área.
A Construção da Ilusão e a Cobrança aos Visitantes
Para dar vida ao seu grandioso plano, Franco Malosso contratou uma empresa local para a construção do anfiteatro. Arquibancadas, degraus e outras estruturas foram erguidas com o objetivo de simular uma ruína antiga. Um dos trabalhadores envolvidos na obra declarou à justiça que recebeu a instrução explícita de “fazer parecer velho” o local, evidenciando a intenção de enganar.
Malosso alegava aos turistas que havia descoberto as ruínas após um deslizamento de terra, atraindo visitantes a partir de 2014. A estratégia de marketing era eficaz, chegando a associar o falso sítio histórico a personalidades como Júlio César, Cleópatra e até mesmo a personagem fictícia Julieta Capuleto, de William Shakespeare. Os preços variavam, com visitantes de fora da região pagando cerca de 12 euros, enquanto moradores locais podiam desembolsar até 40 euros. Visitas privadas em grupo chegavam a custar 600 euros por 45 minutos.
Avaliações Enganosas e a Rapidez da Investigação
Apesar da natureza fraudulenta da atração, o falso anfiteatro de Malosso acumulou avaliações surpreendentemente positivas no TripAdvisor. Visitantes, enganados pela aparência e pelas histórias contadas, descreviam o local como “encantador”, “único no planeta” e um dos melhores lugares que já haviam conhecido. Essa validação online contribuiu para a longevidade do golpe.
No entanto, a verdade veio à tona quando as autoridades italianas iniciaram as investigações em 2016. Policiais e representantes do órgão de proteção ao patrimônio cultural inspecionaram o local e, em um único dia, concluíram que a construção era moderna. O tenente-coronel Giuseppe Marseglia, responsável pela divisão especializada em crimes contra o patrimônio artístico, destacou a “evidência” da fraude, que permitiu o encerramento rápido da análise.
Condenação e Demolição: O Fim da Farsa Arqueológica
Em 2019, Franco Malosso foi condenado por falsificação de obras de arte, construção sem autorização e danos a uma área de paisagem protegida. Os recursos posteriores apresentados por ele foram rejeitados pela Corte de Cassação, a mais alta instância da justiça italiana, que manteve a sentença original. Ele cumpre pena de 28 meses de prisão e foi obrigado a pagar multa e despesas judiciais.
A justiça determinou, além da pena de prisão, a demolição da estrutura e a recuperação completa da área onde o falso anfiteatro foi construído. O local permanece interditado enquanto as autoridades discutem os procedimentos para a remoção da construção fraudulenta, encerrando definitivamente este capítulo de engano histórico na Itália.