Itamaraty Ponderou Antes de Expulsar Segundo Agente Americano em Meio a Crise Diplomática
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva considerou a expulsão de um segundo agente americano do Brasil, além do adido Michael William Myers. A intenção era responder à expulsão do delegado da Polícia Federal, Marcelo Ivo de Carvalho, dos Estados Unidos. No entanto, o Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, interveio para evitar uma escalada maior na crise diplomática.
Segundo informações apuradas pelo jornal O Estado de S. Paulo, o Itamaraty avaliou que a retirada das credenciais de outro funcionário americano poderia ser interpretada por Washington como uma retaliação excessiva. A diplomacia brasileira temia que os Estados Unidos vissem a ação do Brasil como uma resposta que ultrapassava a ‘reciprocidade defendida’ pelo presidente Lula.
A decisão de não expulsar um segundo agente americano visava manter a proporção na resposta, buscando evitar um agravamento nas relações bilaterais. O caso gira em torno da acusação de que o delegado Marcelo Ivo teria tentado manipular o sistema migratório dos EUA. Conforme apurado pelo Estadão, o governo deveria responder com reciprocidade na ‘forma e no conteúdo’, mas a expulsão de dois agentes, em vez de um, seria um extrapolamento desse princípio.
Suspensão Temporária de Acesso de Agente Americano pela PF
O diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, confirmou ao Estadão que houve um corte temporário no acesso de um funcionário americano às instalações e sistemas da corporação. Essa suspensão ocorreu enquanto o Itamaraty analisava a situação e definia os próximos passos diplomáticos. A identidade deste agente americano não foi divulgada.
A medida, embora temporária, representou uma restrição significativa às atividades do agente em questão no Brasil. A decisão final do Itamaraty, contudo, foi a de não prosseguir com a expulsão, optando por uma abordagem mais cautelosa para gerenciar a crise diplomática em curso.
Expulsão de Adido Americano e o Contexto da Crise
O adido americano Michael William Myers, que atuava na área de segurança e estava credenciado desde setembro de 2024 como representante do departamento de imigração dos EUA (ICE) no Brasil, teve suas credenciais retiradas. A expulsão de Myers foi divulgada em 22 de abril, como uma retaliação direta à expulsão do delegado Marcelo Ivo.
O delegado da PF foi acusado pelo governo americano de tentar manipular o sistema migratório para agilizar a repatriação do ex-deputado Alexandre Ramagem. A resposta brasileira, inicialmente, incluiu a retirada das credenciais de Myers, mas a intenção de expulsar outro agente foi barrada pelo Itamaraty para evitar maiores tensões diplomáticas.