Inflação dentro da meta: mérito do Banco Central ou do governo Lula? Entenda a polêmica

Inflação dentro da meta: mérito do Banco Central ou do governo Lula? Entenda a polêmica

Resumo

Banco Central é o grande responsável pela inflação dentro da meta em 2025, e não a política fiscal do governo

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de dezembro de 2025 registrou 0,33%, um avanço em relação aos 0,18% de novembro. Contudo, com a taxa de dezembro de 2024 sendo superior (0,52%), o acumulado de 12 meses do ano passado caiu 0,2 ponto percentual, finalizando em 4,26%. Este índice ficou abaixo do limite máximo de tolerância estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 4,5% (meta de 3% com tolerância de 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo).

Esta é a primeira vez no terceiro mandato do presidente Lula que o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, não precisará enviar uma carta ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, explicando os motivos de a inflação ter superado o teto da banda. Se o fizesse, a justificativa seria clara: a política monetária contracionista do BC foi o principal motor para trazer a inflação de volta ao controle.

O BC elevou a taxa de juros para desaquecer a economia, freando o crédito e a demanda. Essa medida foi necessária devido a uma política fiscal considerada irresponsável pelo governo, que estimulou o consumo para impulsionar o crescimento. Sem a ação do BC, a inflação poderia ter atingido patamares ainda mais elevados.

Ação do Banco Central freou a economia e controlou a inflação

A “política econômica séria” que resultou na queda do IPCA para dentro da banda de tolerância não foi a fiscal de Lula, mas sim a monetária do Banco Central. A política fiscal do governo, ao incentivar o consumo, poderia ter levado a inflação para fora dos limites aceitáveis. O BC, por sua vez, agiu de forma contundente, elevando a taxa Selic para conter o avanço dos preços.

O governo Lula tentou se apropriar do resultado, apesar de a inflação ter permanecido acima do limite aceitável por grande parte de 2025, chegando a 5,53% no acumulado de 12 meses até abril. O presidente destacou em suas redes sociais que a inflação de 4,26% era a menor desde 2018 e resultado de uma “política econômica séria”. Contudo, a fonte da estabilidade de preços foi a postura firme do Banco Central, que se contrapôs à pressão por juros mais baixos.

Gastos públicos e o risco de nova alta inflacionária

O ano de 2026 se apresenta como um desafio. Em busca da reeleição, o presidente Lula promete aumentar os gastos públicos com programas sociais e novas iniciativas, como a cogitação de tarifa zero no transporte coletivo. Essa estratégia de “geração espontânea de dinheiro público” pode levar a um aumento do endividamento, elevação de impostos ou emissão de moeda, caminhos que historicamente resultam no retorno da inflação.

O desemprego e a inflação são as mazelas que mais afetam os mais pobres. Enquanto o desemprego é um problema direto, a inflação corrói o poder de compra. O remédio para a inflação são contas públicas em ordem, algo que não tem sido a prioridade do governo Lula. Diante disso, o Banco Central tem a responsabilidade de aplicar o tratamento amargo, mas necessário, para manter os preços sob controle.

O “menor índice desde 2018”, como citado pelo presidente, só foi alcançado devido à atuação do Banco Central, que resistiu à pressão por juros baixos. Essa pressão, aliás, foi um dos fatores que contribuíram para a crise econômica de 2015-2016. Portanto, a manutenção da inflação dentro da meta é um mérito da política monetária independente e responsável do BC, e não de uma política fiscal expansionista.

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