CPI do Crime Organizado aponta uso de jatinhos de banqueiro por ministros do STF, gerando polêmica e pedidos de investigação.
Um relatório final da CPI do Crime Organizado, apresentado em abril de 2026, trouxe à tona um caso que pode abalar a confiança na Suprema Corte. O documento detalha que quatro ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) teriam utilizado aeronaves vinculadas a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
As revelações, apelidadas pelos investigadores de ‘Vorcaro Air’, indicam um possível conflito de interesses e levantam sérias questões sobre a ética e a imparcialidade no mais alto escalão do Judiciário brasileiro. O caso gerou reações imediatas e pedidos de aprofundamento das apurações.
As informações foram obtidas através de um complexo cruzamento de dados, incluindo registros internos do STF, informações de terminais de aviação executiva, dados da Anac e do controle do espaço aéreo, além de mensagens e arquivos apreendidos pela Polícia Federal do celular e da nuvem do banqueiro Daniel Vorcaro. Conforme apurado pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo, a investigação detalhou os voos e as circunstâncias que cercam o uso dessas aeronaves.
Alexandre de Moraes, o ‘Recordista’ de Voos e Suspeitas de Conexão com Pagamentos Milionários
O ministro Alexandre de Moraes foi apontado como o que mais utilizou os jatinhos, com um total de oito viagens realizadas em 2025. O período coincide com pagamentos significativos feitos pelo Banco Master ao escritório de advocacia de sua esposa. A Polícia Federal também encontrou mensagens que sugeririam encontros privados entre o banqueiro e o ministro antes de alguns desses deslocamentos.
Diante das acusações, o ministro Moraes classificou as informações como falsas e baseadas em ilações. Ele e seu escritório negam veementemente qualquer irregularidade, afirmando que os deslocamentos foram contratados formalmente e que não houve qualquer conduta imprópria.
Dias Toffoli e Gilmar Mendes: Viagens para Resorts e Financiamento de Jatos em Fóruns Internacionais
O ministro Dias Toffoli é citado no relatório por ter utilizado o terminal executivo de Brasília em aeronaves da rede Master em pelo menos dez ocasiões. Algumas dessas viagens teriam como destino Lima, no Peru, e uma região de resort onde o ministro possuía sociedade com parentes de Daniel Vorcaro, levantando questionamentos sobre a natureza dessas viagens.
Já o ministro Gilmar Mendes teve seu nome associado ao financiamento de dois jatos. Essas aeronaves teriam sido usadas para o retorno de um fórum jurídico em Lisboa, evento que o próprio Mendes organiza. Diante desses fatos, o relator da CPI pediu o indiciamento de Gilmar Mendes por conduta incompatível com o cargo.
Kassio Nunes Marques e a Reação dos Ministros às Acusações
O ministro Kassio Nunes Marques também foi citado no relatório. Ele confirmou a realização de um voo para Maceió, mas declarou que foi um convite de uma advogada e que não teve relação com os custos da viagem, dissociando-se dos demais apontamentos.
A reação dos ministros às revelações da CPI foi marcada pela negação e, em alguns casos, por ataques aos investigadores. Gilmar Mendes, em particular, reagiu duramente, pedindo que a Procuradoria-Geral da República (PGR) investigue o senador Alessandro Vieira por abuso de autoridade e classificou o relatório como uma tentativa de constrangimento institucional. As diferentes posturas reforçam a gravidade das suspeitas levantadas pela CPI.