Keiko Fujimori assume presidência do Peru após vitória apertada impulsionada por votos do exterior, mas enfrenta um país polarizado e com desconfiança.
A política peruana vive um momento de intensa polarização com a eleição de Keiko Fujimori para a presidência. Sua vitória, decidida por uma margem mínima e impulsionada significativamente pelos votos vindos do exterior, levanta questionamentos sobre a legitimidade de seu mandato e sua capacidade de governar um país profundamente dividido.
A disputa acirrada evidenciou um Peru com visões contrastantes, onde o legado de seu pai, Alberto Fujimori, e a promessa de ordem de Keiko se chocam com memórias de abusos e desconfiança de setores da população. A questão central agora é se a pequena vantagem obtida será suficiente para impor sua agenda ou se a conduzir a um governo de impotência.
A análise do cenário político e econômico, conforme divulgado pelo Foundation for Economic Education, indica que Fujimori herda um nome com forte peso político, mas também com um passado controverso. Seu desafio será conciliar a defesa de um modelo econômico liberal com a necessidade de unir um país marcado por profundas cicatrizes históricas e sociais.
O Legado Fujimorista em Xeque
Keiko Fujimori, que concorreu quatro vezes à presidência, finalmente alcançou a vitória em um segundo turno apertado. Sua trajetória política é intrinsecamente ligada à de seu pai, Alberto Fujimori, ex-presidente conhecido por estabilizar a economia e combater o Sendero Luminoso, mas também por métodos autoritários. Keiko, que já foi deputada e líder do partido Fuerza Popular, enfrentou acusações de corrupção, com um caso anulado em janeiro de 2025. A defesa do legado paterno, marcado pela ortodoxia fiscal e abertura ao capital estrangeiro, é um pilar central de sua plataforma.
Promessas de Ordem e Reforma Econômica
Os compromissos de Keiko Fujimori centram-se em dois eixos principais: **linha dura contra o crime** e **defesa intransigente da economia de mercado**. Na área de segurança, propõe o uso das Forças Armadas contra o crime organizado e a expansão da vigilância por vídeo com inteligência artificial, inspirada em táticas de El Salvador. Economicamente, sua plataforma inclui um “choque desregulatorio”, com a redução de prazos para aprovação de investimentos e a diminuição do déficit fiscal. A palavra “ordem” foi o slogan central de sua campanha, em contraposição ao que ela descreve como “caos” representado pela esquerda.
Divisões Profundas e Protestos nas Ruas
O discurso de “ordem” de Fujimori ressoou fortemente com o voto urbano e do exterior, mas teve menos impacto em comunidades rurais e indígenas. Estas últimas associam o nome Fujimori a abusos do passado e a tentativas de anular votos em 2021. Protestos com o lema “Fora Keiko, Fujimori Nunca Mais” ocorreram nas semanas finais da campanha e continuaram durante a apuração, evidenciando a profunda divisão no país. Comentários nas redes sociais e grupos cívicos acusaram autoridades eleitorais de favorecer a direita, ecoando as acusações de fraude feitas pela própria Fujimori em 2021.
Desafios na Relação com o Exterior e a Economia
A agenda desregulatória de Fujimori visa preservar acordos comerciais existentes e fortalecer laços com Washington. Analistas, contudo, esperam uma postura pragmática em relação à China, reconhecendo sua importância como parceira comercial e de investimento. A alta dos preços minerais oferece um cenário fiscal favorável, mas a questão central será se os benefícios chegarão às comunidades rurais que majoritariamente votaram contra ela. A presidência de Fujimori terá o desafio de convencer o país de que sua eleição não foi uma imposição, mas sim um reflexo da vontade popular, em um contexto onde o consentimento dos derrotados para o funcionamento democrático parece ter colapsado.