Morre Luis Brandoni, ícone do audiovisual argentino, aos 86 anos
O aclamado ator argentino Luis Brandoni faleceu nesta segunda-feira, 20 de maio, em Buenos Aires, aos 86 anos. A notícia do falecimento, confirmada pelo Multiteatro, entristeceu profundamente o mundo das artes, marcando o fim de uma era.
Brandoni estava internado desde 11 de abril, após sofrer uma queda em sua residência que resultou em um hematoma cerebral. Apesar de uma melhora inicial, seu quadro de saúde se agravou nos últimos dias, conforme informado pelo jornal Clarín.
Com uma carreira que se estendeu por mais de seis décadas, Luis Brandoni se consolidou como um dos nomes mais importantes e versáteis do entretenimento na Argentina, com passagens marcantes pelo cinema, teatro, televisão e, mais recentemente, pelo universo do streaming. A notícia de sua morte foi divulgada amplamente, lamentando a perda de um artista tão querido.
Trajetória artística e reconhecimento internacional
Luis Brandoni construiu uma filmografia robusta, com trabalhos que atravessaram gerações. Entre seus filmes mais celebrados estão “Esperando o Rabecão” (1985) e “A Grande Dama do Cinema” (2019). Na televisão, conquistou o público com a série “Mi cuñado” (1993).
Nos últimos anos, o ator renovou sua popularidade com participações em produções de streaming de grande repercussão. Seu trabalho mais recente foi na série “Nada” (2023), da Disney, onde contracenou com o astro Robert De Niro, interpretando o crítico gastronômico Manuel. Esse papel reacendeu os holofotes sobre seu talento.
Paralelamente à sua carreira audiovisual, Brandoni manteve-se ativo nos palcos. No momento de seu falecimento, ele estava em cartaz com a peça “¿Quién es quién?”, ao lado da atriz Soledad Silveyra, e já se preparava para novos projetos, demonstrando sua paixão inesgotável pela arte.
Um legado para a cultura argentina
Formado no Conservatório Nacional de Música e Artes Cênicas, Luis Brandoni iniciou sua carreira precocemente, tornando-se um pilar da cultura argentina. Sua trajetória inclui atuações em produções de peso como “La Patagonia rebelde” e “La tregua”, consolidando-o no cinema a partir dos anos 1970.
Durante o período da ditadura militar na Argentina, Brandoni enfrentou perseguições políticas e chegou a se exilar no México. Com a redemocratização do país, retornou e retomou com força sua carreira, ampliando sua base de fãs nas décadas seguintes.
O Multiteatro lamentou profundamente a perda, declarando em comunicado: “Hoje é um dia muito triste para a nossa cultura. Com a morte de Beto, perdemos o último grande ator de uma geração inesquecível”. A declaração reforça o impacto de Luis Brandoni.
Participação política e despedida
Além de sua carreira artística, Luis Brandoni também teve uma incursão na vida pública. Filiado à União Cívica Radical, ele exerceu o cargo de deputado federal entre 1997 e 2001, demonstrando seu engajamento cívico.
Mesmo durante seu mandato político, o ator nunca se distanciou dos palcos e das telas. No teatro, participou de montagens notáveis como “Made in Lanús” e “Conversaciones con mamá”. Na televisão, sua dupla com Ricardo Darín em “Mi cuñado” marcou época.
O velório de Luis Brandoni será aberto ao público na Assembleia Legislativa da Cidade de Buenos Aires. Posteriormente, seu corpo será levado ao Panteão dos Atores, no Cemitério de Chacarita, onde receberá as últimas homenagens.