Presidente Lula critica duramente novas tarifas dos EUA e aponta motivações políticas e “interesses mesquinhos”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) expressou forte descontentamento e cobrou ação de seus ministros diante das recentes imposições de tarifas pelo governo dos Estados Unidos. As novas taxas, que podem chegar a 37,5% em alguns produtos, foram classificadas pelo presidente como um tratamento inaceitável e motivado por razões eleitorais e mesquinhas.
Em reunião ministerial, Lula enfatizou a necessidade de o Brasil se defender e não ser tratado como uma “republiqueta insignificante”. Ele criticou a forma como o governo de Donald Trump anunciou as tarifas, através das redes sociais, e também as declarações do secretário de Estado americano, Marco Rubio, que teria demonstrado antipatia pela América Latina.
O presidente ressaltou que, apesar das divergências, o Brasil tem buscado negociar de boa-fé, apresentando argumentos técnicos e narrativas que demonstram a insensatez das punições. A fala foi divulgada conforme informação do portal G1. Lula afirmou que não busca “guerra”, mas sim fortalecer uma relação bilateral histórica com os Estados Unidos.
Lula aponta “traição à Pátria” e interesses eleitorais
Em um tom incisivo, Lula declarou que “estão tentando trair o Brasil com interesses mesquinhos e rasteiros de uma disputa” e que “não pode dar valor a alguém que trai a Pátria”. Ele sugeriu que existem brasileiros colaborando com essa estratégia, visando prejudicar sua possível candidatura à reeleição em outubro. O presidente classificou essas ações como “imbecil” e de uma “grosseria” que, em outro contexto histórico, seria considerada “traição à Pátria”.
Anteriormente, Lula já havia atribuído a articulação das novas taxações aos “filhos do Bolsonaro”, em declarações repercutidas pela imprensa. A postura do presidente demonstra uma clara defesa da soberania nacional e uma resistência a políticas consideradas predatórias.
Novas tarifas e negociações bilaterais
O governo dos Estados Unidos anunciou a taxação de 25% sobre produtos brasileiros como punição por supostas práticas comerciais prejudiciais às empresas norte-americanas, incluindo críticas ao sistema de pagamentos instantâneos PIX. Adicionalmente, uma tarifa extra de 10,5% foi imposta sob a alegação de falhas no combate ao trabalho forçado na produção de bens.
Lula destacou que, desde uma reunião privada com Trump no mês anterior, ministérios e técnicos dos dois países vinham dialogando sobre as alegações americanas e sobre a vantagem comercial que os EUA detêm em relação ao Brasil. Ele reafirmou que o país não fez “bravata” e sim construiu uma “narrativa verdadeira” para apresentar aos americanos.
Brasil “não cederá” e busca fortalecer sua posição global
O presidente Lula prometeu entrar em contato novamente com Donald Trump e continuar escrevendo artigos em jornais estrangeiros para expor o equívoco das políticas impostas. Ele declarou enfaticamente que o Brasil é um país “democrático e soberano” e “não cederá”.
“Quem quiser explorar as terras raras e minerais críticos, vai ter que falar com o governo brasileiro. Acabou, acabou aquela história de levar todo o nosso ouro pra fora. Esse país não adotará mais a política do vira-lata diante das grandes potências”, afirmou Lula, sinalizando uma nova postura de assertividade nas relações internacionais.
Cobrança aos ministros e prazos definidos
Durante a reunião ministerial, Lula também fez um alerta aos seus ministros sobre a importância de comunicar ao governo qualquer inauguração ou ação de suas pastas. Ele estabeleceu o dia 3 de julho como prazo limite para a entrega de tudo o que for possível por parte dos ministérios, reforçando a necessidade de organização e alinhamento na gestão pública.