Associações de delegados criticam fala de Lula sobre “medo” de delegacias em devolução de celulares
A Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (Adepol) repudiou declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a devolução de celulares roubados. Durante o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o chamado “Conselhão”, Lula mencionou que o governo planeja uma campanha para incentivar a devolução de aparelhos roubados através dos Correios, alertando sobre as consequências para quem os adquiriu indevidamente.
O presidente expressou que, ao invés de devolver o celular roubado na delegacia, a preferência seria pelos Correios. Lula justificou a preferência dizendo: “devolver na delegacia as pessoas têm até medo, porque não sabe o tipo de delegado que vai encontrar ou o tipo de policial”. A declaração foi feita no dia 10 de abril.
Em resposta à fala do presidente, as associações de delegados classificaram as declarações como “estereotipadas” e que transmitem uma percepção de “desconfiança generalizada” que não reflete a realidade das Polícias Civis. Conforme informação divulgada pela Adepol, a declaração do presidente é considerada “inadequada, injusta e descontextualizada”, podendo comprometer a confiança da população nas instituições de segurança pública.
Adepol defende probidade e compromisso dos policiais civis
A Adepol do Brasil afirmou em nota que considera inadequada, injusta e descontextualizada qualquer generalização que possa comprometer a confiança da população nas instituições policiais. A entidade ressaltou que a declaração do presidente pode sugerir, de forma indistinta, a ausência de probidade ou de compromisso funcional por parte dos agentes públicos responsáveis pela atividade investigativa.
A associação destacou que as delegacias representam o acesso permanente da população ao sistema de justiça criminal. “Milhares de profissionais das Polícias Civis exercem suas funções diariamente com dedicação, responsabilidade e observância dos deveres legais inerentes ao serviço público”, ressaltou a Adepol.
A Adepol convidou autoridades públicas a conhecerem a realidade operacional e os mecanismos de transparência que norteiam o trabalho das Polícias Civis brasileiras. A entidade enfatizou que sua manifestação tem “caráter estritamente institucional, sem qualquer vinculação político-partidária, ideológica ou eleitoral”.
Sindesp e Cobrapol também criticam generalização
O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindesp) expressou “indignação” com a declaração do presidente. Para o Sindesp, a fala de Lula “desconsidera os relevantes serviços prestados pelas Polícias Civis brasileiras”.
O sindicato acrescentou que delegados de polícia e policiais civis de outras carreiras atuam diariamente na investigação criminal, na recuperação de bens subtraídos, na responsabilização de infratores e na proteção dos cidadãos, merecendo, portanto, respeito e reconhecimento pelo trabalho que desempenham.
A Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis (Cobrapol) também se manifestou, afirmando que “generalizações dessa natureza geram interpretações equivocadas sobre a atuação das Polícias Civis e de seus profissionais”. A entidade destacou o papel essencial desses profissionais na investigação criminal e na promoção da Justiça em todo o país.
Polícias Civis são essenciais no combate ao crime
A Cobrapol ressaltou que, ao longo dos anos, as Polícias Civis brasileiras têm desempenhado um papel decisivo no combate ao furto, ao roubo, à receptação e às organizações criminosas. Essas organizações, segundo a confederação, alimentam mercados ilícitos em todo o território nacional, evidenciando a importância da atuação policial.
A entidade reforçou que a atuação das polícias civis é fundamental para a manutenção da ordem pública e para a garantia da segurança dos cidadãos. A crítica às declarações do presidente visa a proteger a imagem e o trabalho de milhares de profissionais que se dedicam diariamente à segurança pública no Brasil.
Programa Celular Seguro busca reduzir roubo e receptação
O programa Celular Seguro, mencionado pelo presidente Lula, tem como objetivo principal reduzir os índices de roubo e receptação de aparelhos celulares no país. A iniciativa busca conscientizar a população sobre os riscos de adquirir produtos de origem duvidosa e incentivar a devolução de celulares roubados.
A estratégia de comunicação do programa, incluindo o alerta sobre as consequências da posse de aparelhos roubados, visa a desestimular a prática criminosa. A polêmica gerada pelas declarações do presidente, no entanto, levanta um debate sobre a percepção pública das instituições policiais e a necessidade de valorizar o trabalho dos delegados e policiais civis.