Lula critica “filhos de Bolsonaro” por tarifaço e comete erro histórico sobre traidor da Inconfidência Mineira
Em um discurso inflamado na cidade goiana de Catalão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva atacou os “filhos do Bolsonaro”, acusando-os de serem “traidores da pátria” por supostamente terem solicitado um “tarifaço” dos Estados Unidos.
O presidente comparou a atitude deles à de Joaquim Silvério dos Reis, delator de Tiradentes, afirmando que “por muito menos” o personagem histórico teria sido executado. No entanto, Lula se equivocou ao relatar o destino de Joaquim Silvério dos Reis, que não foi enforcado, mas teve suas dívidas perdoadas por Portugal.
A declaração, feita durante evento no hospital universitário, gerou repercussão imediata. O senador Flávio Bolsonaro, por meio de sua assessoria, anunciou que ingressará com uma notícia-crime no Supremo Tribunal Federal (STF), alegando que as falas do presidente incitaram sua morte. O Palácio do Planalto ainda não se manifestou oficialmente sobre o episódio.
Erro histórico sobre Joaquim Silvério dos Reis
Durante seu pronunciamento, Lula questionou o que merecem os traidores da pátria, ao citar o caso de Joaquim Silvério dos Reis. “Por menos que isso, Joaquim Silvério dos Reis, delator de Tiradentes, foi enforcado em praça pública. O que merecem os traidores da pátria?”, declarou o presidente.
Contudo, o relato histórico apresentado por Lula não condiz com os fatos. Conforme registros, Joaquim Silvério dos Reis teve suas dívidas com a Coroa Portuguesa perdoadas em troca da delação de conspiradores da Inconfidência Mineira. Ele viveu até 1819, décadas após a execução de Tiradentes em 1792, e não foi executado.
Reação de Flávio Bolsonaro e o contexto do “tarifaço”
Em resposta às falas do presidente, o senador Flávio Bolsonaro afirmou que a declaração de Lula pode ter incitado sua morte. Ele anunciou que acionará o STF para apurar o caso. O Palácio do Planalto, por sua vez, manteve-se em silêncio até o momento, mas o espaço para manifestação permanece aberto.
O contexto da declaração de Lula remete à recente indignação do governo brasileiro com a conclusão preliminar divulgada pelos Estados Unidos no âmbito da investigação da Seção 301. O Palácio do Planalto classificou a ação como “unilateral” e “politicamente motivada”, apontando “sabotagem” e culpando diretamente o senador Flávio Bolsonaro, que negou envolvimento e enviou uma carta aos EUA.
Governo brasileiro expressa indignação com EUA
Em nota oficial divulgada nesta terça-feira (2), o governo brasileiro manifestou forte repúdio à decisão dos Estados Unidos sobre a investigação comercial. A análise, considerada “unilateral” e “politicamente motivada” pelo Planalto, foi vista como uma tentativa de “sabotagem”.
O governo brasileiro responsabilizou diretamente o senador Flávio Bolsonaro pela iniciativa, que, segundo o Planalto, visa prejudicar setores da economia nacional. Flávio Bolsonaro, contudo, refutou qualquer envolvimento e enviou uma carta às autoridades americanas para se defender das acusações.