Wagner Moura entra na Justiça contra Silas Malafaia por ofensas em polêmica sobre filme
O ator Wagner Moura deu entrada em uma queixa-crime contra o pastor Silas Malafaia na Justiça do Rio de Janeiro. A ação judicial surge após o religioso ter proferido ofensas contra o artista, chamando-o de “cretino” e “esquerdista de araque” em razão de sua participação no filme “O Agente Secreto”, obra indicada ao Oscar.
A equipe jurídica de Wagner Moura alega que as declarações de Silas Malafaia configuram crimes de injúria e difamação. O processo, que tramita em segredo de Justiça a pedido do ator, já foi aceito pela 5ª Vara Cível da Barra da Tijuca, e o pastor já foi devidamente citado, conforme informações divulgadas pela coluna de Mônica Bergamo.
A representação do ator busca não apenas a punição do pastor, mas também uma compensação financeira. A ação pede uma indenização no valor de R$ 100 mil, além de considerar a possibilidade de condenação de Malafaia a até quatro anos e meio de prisão, pena prevista para os crimes de injúria e difamação. A defesa de Moura argumenta que os termos utilizados pelo pastor atingem diretamente a dignidade do ator.
Defesa de Moura detalha ofensas e busca reparação
Em trecho da petição inicial, os advogados de Wagner Moura, Augusto Arruda Botelho e Caio Mariano, destacaram a gravidade das palavras utilizadas pelo pastor. “A utilização do termo ‘cretino’, em particular, revela inequívoco caráter insultuoso, constituindo xingamento que atinge frontalmente a dignidade do querelante”, afirma a peça jurídica, citada pela Folha de S.Paulo.
A petição também aponta a expressão “esquerdista de ataque” como uma clara conotação pejorativa, destinada a ridicularizar o ator perante o público. A defesa ressalta a ampla exposição das falas de Malafaia, que teriam alcançado “centenas de milhares de visualizações”, ampliando o alcance da ofensa e atribuindo ao ator conduta moralmente reprovável.
Malafaia rebate e sugere que Moura processe “muitos”
Em resposta à ação, Silas Malafaia declarou, segundo a mesma coluna, que Wagner Moura teria que processar “centenas de milhares de pessoas que deram a mesma opinião”. Em um vídeo divulgado posteriormente, o pastor afirmou que o ator seria “seletivo” ao escolhê-lo como alvo.
A polêmica se intensificou após uma postagem de janeiro, na qual Malafaia criticou o posicionamento de Moura em relação a políticas governamentais. O pastor acusou o ator de defender um governo que, segundo ele, não valoriza os professores, mas destina “bilhões” para a área cultural. Malafaia também ironizou o fato de Moura morar nos Estados Unidos, sugerindo que ele deveria residir em Cuba.
Histórico de polêmicas e argumentos da defesa
A defesa de Wagner Moura também trouxe à tona outras polêmicas envolvendo Silas Malafaia, como condenações anteriores por indenizar o influenciador Felipe Neto e um processo em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF) por injúria contra o Exército brasileiro. Argumentou-se que a imagem do ator, com uma carreira ligada ao debate político e residente no exterior, seria particularmente “vulnerável” às mensagens do pastor.
A equipe de Moura considera que as postagens de Malafaia atribuíram ao ator a prática de obter vantagem financeira de um governo considerado corrupto pelo pastor. A ampla divulgação dos comentários, com potencial para atingir um grande número de pessoas, é um dos pontos centrais da argumentação na ação por injúria e difamação.