PF investiga se Lulinha recebeu R$ 1,5 milhão e intermediou reuniões no Planalto para lobista
A Polícia Federal (PF) apura se o empresário Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi o destinatário de valores repassados pelo empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, a uma lobista. A investigação, conforme apurado pela Folha de S.Paulo, também busca entender o papel de Lulinha como mediador de reuniões no Palácio do Planalto.
As suspeitas sobre Lulinha surgiram a partir de transferências de R$ 1,5 milhão feitas pelo “Careca do INSS” à lobista Roberta Luchsinger. Paralelamente, a PF rastreou outros pagamentos ligados a pessoas e empresas próximas ao filho do presidente. Roberta Luchsinger, por sua vez, nega ter repassado qualquer quantia a Lulinha.
Esses desdobramentos se somam a outras revelações sobre a atuação de Roberta Luchsinger, que busca abrir portas para negócios dentro do governo federal. As investigações, noticiadas por veículos como O Estado de S. Paulo e Veja, apontam para uma possível atuação coordenada entre Lulinha, a lobista e empresários. A PF busca estabelecer se relações pessoais, movimentações financeiras e acesso a autoridades formavam uma engrenagem para favorecer interesses privados. Conforme informações divulgadas pela imprensa, a defesa dos investigados nega as suspeitas e critica os vazamentos dos inquéritos.
Quadro de 100 mil euros e despesas pessoais sob escrutínio
Em outra frente, a PF investiga um quadro avaliado em 100 mil euros, mencionado em conversas entre Roberta Luchsinger e Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula. Segundo O Estado de S. Paulo, Marcola questionou Roberta sobre a obra, que estaria em Paris. Além disso, a lobista teria arcado com R$ 217 mil em despesas pessoais de Marcola ao longo de 2024, incluindo faturas de cartão de crédito, financiamento de veículo e joias.
Marcola alega que os pagamentos foram parte de um empréstimo pessoal de R$ 249 mil, que teria sido quitado com juros. A PF, contudo, destaca a coincidência temporal entre essas transações financeiras e as tratativas de Roberta Luchsinger com o governo.
Lulinha como beneficiário indireto e agenda no Planalto
A PF investiga a hipótese de Lulinha atuar como beneficiário indireto das articulações de Roberta Luchsinger. Acredita-se que a proximidade do filho do presidente pudesse reforçar a capacidade da lobista de obter interlocução com integrantes da administração federal. Um dos negócios em análise envolvia a tentativa de fornecer medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde, numa operação estimada em R$ 626 milhões, que não se concretizou.
Uma outra revelação do O Estado de S. Paulo associa Lulinha à abertura de uma agenda no Palácio do Planalto para o governador do Maranhão, Carlos Brandão. Mensagens encontradas pela PF no celular de Roberta indicam que ela informou ao governador que Lulinha havia “conseguido a agenda” para um encontro com Marcola. O encontro, que também foi relacionado por Roberta à liberação de uma obra no Maranhão, ocorreu e consta nos registros oficiais.
Defesas negam irregularidades e criticam vazamentos
Marco Aurélio Carvalho, advogado de Lulinha, lamentou o que chamou de extrapolação de limites éticos e legais por parte de setores da PF, acusando-os de estarem “capturados por interesses políticos e eleitorais”. Ele ressaltou que não há nos inquéritos provas de desvio de dinheiro público ou envolvimento de autoridades com foro privilegiado.
A defesa de Marcola nega qualquer contrapartida ilícita, afirmando que os valores pagos por Roberta Luchsinger foram referentes a um empréstimo pessoal quitado. A defesa também critica o vazamento dos inquéritos sigilosos. Roberto Podval, advogado de Roberta Luchsinger, limitou-se a afirmar que não comentaria um inquérito sob sigilo judicial.