Investigação da Polícia Federal apura compra de mansão milionária ligada a vice-líder do governo Lula no STF
A aquisição de uma luxuosa mansão de R$ 6 milhões, localizada no prestigiado bairro do Lago Sul, em Brasília, se tornou um ponto central em uma investigação conduzida pela Polícia Federal. O foco recai sobre o senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo Lula no Congresso Nacional.
Existem fortes suspeitas de que o imóvel, formalmente registrado em nome de uma empresa ligada ao advogado Willer Tomaz, teria o senador como seu verdadeiro beneficiário. A representação que deu origem à investigação foi acolhida pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Tanto o senador quanto o advogado Willer Tomaz negam veementemente qualquer irregularidade na transação, conforme declarado por ambos. A Polícia Federal, no entanto, baseia suas suspeitas em provas colhidas durante operações anteriores, como detalhado a seguir. Conforme informações obtidas pela reportagem, a investigação avança com base em cruzamento de dados e evidências encontradas em comunicações.
Mensagens de celular revelam participação direta do senador em negociações imobiliárias
As suspeitas da Polícia Federal sobre a compra da mansão de R$ 6 milhões ganharam força após a análise de mensagens extraídas de celulares apreendidos na Operação Sem Desconto. Esta operação investiga um esquema de desvio de verbas de aposentados e pensionistas através de descontos irregulares em seus benefícios.
A investigação aponta que as conversas interceptadas mostram Weverton Rocha participando ativamente das tratativas para a aquisição do imóvel. Ele teria discutido valores, condições de pagamento e outras etapas cruciais da negociação, demonstrando um envolvimento direto na operação.
Documentos relativos à compra do imóvel foram cruzados com o conteúdo dessas mensagens. A PF identificou diálogos que detalham o pagamento de um sinal de R$ 4 milhões e um saldo de R$ 2 milhões, totalizando o valor de R$ 6 milhões pela propriedade.
Ocultação patrimonial: Imóvel registrado em nome de terceiro levanta suspeitas
Apesar da alegada participação do senador Weverton Rocha nas negociações, a mansão foi oficialmente registrada em nome de uma empresa associada ao advogado Willer Tomaz. Para a Polícia Federal, essa discrepância entre o proprietário formal e o suposto beneficiário econômico é um forte indício de ocultação patrimonial.
Fontes próximas à investigação informaram que a PF reuniu outros elementos que reforçam essa hipótese. Entre eles, a participação presencial de Weverton em reuniões destinadas à compra da residência. Essa circunstância é considerada relevante para sustentar a conclusão de que o senador acompanhou de perto a negociação, mesmo sem figurar formalmente como comprador.
Aquisição da mansão integra um conjunto de operações financeiras sob escrutínio
A investigação policial não trata a compra da mansão de forma isolada. Segundo a PF, a aquisição faz parte de um conjunto maior de operações financeiras e patrimoniais que envolvem empresas, imóveis, propriedades rurais e contas bancárias de pessoas próximas ao senador.
O objetivo, segundo os investigadores, seria dificultar a identificação do verdadeiro proprietário dos bens. A Polícia Federal busca comprovar que essas operações foram utilizadas para dissimular a origem e a titularidade dos ativos, configurando um esquema de ocultação de patrimônio.
Posicionamento dos envolvidos: Negativas de irregularidades e confiança na Justiça
Em nota oficial, o senador Weverton Rocha declarou que a investigação é fruto de “interesses políticos” e negou qualquer ato ilícito. Ele afirmou que a operação teve como alvo pessoas próximas e familiares, e não ele diretamente, e que confia na Justiça para esclarecer os fatos.
O parlamentar sustentou que as medidas investigativas não têm relação com a prática de crimes, mas sim com uma tentativa de desgastá-lo politicamente. Weverton Rocha assegurou que todos os bens e atividades de sua família possuem origem lícita e que sua defesa demonstrará a legalidade das operações.
Por sua vez, o advogado Willer Tomaz emitiu uma nota afirmando que “jamais teve qualquer envolvimento com os fatos apurados no âmbito da Operação Sem Desconto e que não figura como investigado no referido procedimento da Polícia Federal”.
Tomaz explicou que, em sua atuação empresarial, é proprietário de uma imobiliária em Brasília que administra e negocia diversos imóveis. Ele garantiu que “as atividades da empresa são realizadas regularmente, não havendo qualquer irregularidade nas operações citadas”.