Direita planeja “virada” no Senado em 2026 para desafiar o STF e o ministro Alexandre de Moraes
A direita brasileira vislumbra as eleições de 2026 como um momento crucial para reconfigurar o Senado Federal. O objetivo principal é formar uma maioria capaz de **enfrentar o que consideram abusos por parte de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF)**, com foco especial na viabilização de processos de impeachment.
Nos últimos anos, o STF tem sido alvo de críticas por decisões consideradas por parte da direita como inconstitucionais, incluindo inquéritos, prisões e censura direcionadas a conservadores. Apesar da existência de cerca de 70 pedidos de impeachment na mesa da Presidência do Senado, a maioria contra o ministro Alexandre de Moraes, poucos avançaram.
Essa articulação, conforme informações divulgadas pela Gazeta do Povo, baseia-se em cálculos estratégicos para alcançar o número de votos necessários para aprovar um impeachment, um cenário que se tornou mais complexo após mudanças recentes nas regras. A meta é eleger um número expressivo de senadores comprometidos com a pauta de contenção ao Supremo.
O “Número Mágico” para o Impeachment e as Novas Regras
Para que um processo de impeachment seja aberto e, posteriormente, resulte na remoção de um ministro, a direita busca consolidar apoio no Senado. Originalmente, eram necessários 41 votos (maioria absoluta) para iniciar o processo, e 54 (dois terços) para a condenação. Contudo, em dezembro, o ministro Gilmar Mendes propôs uma liminar que equipara o quórum para abertura de processo ao de condenação, exigindo **dois terços dos votos (54 senadores)** desde o início.
Essa mudança, que ainda será analisada pelo plenário do Senado, eleva o desafio para a direita. A estratégia atual envolve não apenas eleger novos senadores alinhados à causa, mas também buscar o apoio de parlamentares de centro e centro-direita, além de eleger um presidente da República favorável a essa agenda.
A Renovação do Senado em 2026 e os Cálculos Atuais
O ano de 2026 é particularmente estratégico, pois haverá a renovação de 54 das 81 vagas do Senado. Atualmente, entre os senadores com mandato até 2030, 17 já se manifestaram a favor do impeachment de Alexandre de Moraes. Outros 24, cujos mandatos terminam em 2026, também apoiam a medida.
Somando esses números, a direita já contaria com 41 senadores favoráveis à abertura de um processo, o que seria suficiente sob as regras antigas. No entanto, para aprovar a remoção de um ministro com as novas regras, seriam necessários **mais 37 senadores eleitos em 2026**, totalizando 54 votos.
Estratégia de Longo Prazo: Presidência e Apoio do Centro
O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) afirmou à Gazeta do Povo que o Partido Liberal projeta eleger cerca de 25 senadores favoráveis ao impeachment. Ele ressalta a importância de eleger um presidente da República alinhado a essa pauta, citando Flávio Bolsonaro como nome trabalhado pelo partido. Jordy acredita que a eleição presidencial e a maioria no Senado atrairiam senadores de centro.
O senador Magno Malta (PL-ES) corroborou essa visão, declarando que a eleição de um Senado com maioria é mais relevante que a Presidência. Ele enfatiza que a contenção do Supremo é uma questão de **fazer cumprir a Constituição** e restaurar a dignidade do Poder Legislativo, cujas competências, segundo ele, têm sido invadidas pelo Judiciário.
A articulação inclui lançar nomes viáveis para o Senado em todos os estados, com foco em partidos como Liberal (PL) e Novo. A meta é clara: **recompor o sistema de freios e contrapesos** e garantir que o Judiciário não sobreponha sua autoridade aos demais poderes.