Hamilton Mourão critica duramente o Inquérito das Fake News, conduzido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), comparando-o ao AI-5 e defendendo a inclusão de Romeu Zema na investigação.
O senador e ex-vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos-RS) teceu críticas severas ao Inquérito das Fake News, que está em andamento há nove anos no STF. Mourão classificou a investigação como ineficaz e prejudicial, afirmando que ela é usada para perseguir políticos, especialmente da direita.
Em entrevista ao programa Café com a Gazeta, da Gazeta do Povo, o senador declarou que, em sua visão, o inquérito é “pior do que o AI-5”, referindo-se ao ato institucional que suspendeu direitos constitucionais durante o regime militar. Ele ainda apelidou a investigação de “inquérito Bombril”, devido à sua suposta “mil e uma utilidades”.
A declaração de Mourão surge após o ministro Gilmar Mendes ter solicitado a inclusão do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), no inquérito, em resposta a críticas feitas por ele. Mourão considerou a atitude de Mendes “ridícula” e ressaltou que o ministro precisa entender que ninguém está acima da lei e que críticas devem ser combatidas com ações, não com investigações.
Mourão defende revisão da Constituição de 1988
O ex-vice-presidente também se posicionou a favor de uma revisão ampla da Constituição Federal de 1988. Segundo Hamilton Mourão, o pacto firmado após o fim do regime militar está “esgaçado”, com um Executivo enfraquecido, um Legislativo que avança em pautas do Executivo e um Judiciário que busca assumir um papel de “condutor geral da nação”.
Para o senador, a fragilidade das instituições e a falta de clareza nas atribuições de cada poder justificam a necessidade de reavaliar o que foi estabelecido há quase 40 anos. Ele acredita que uma reforma constitucional seria essencial para restabelecer o equilíbrio e a funcionalidade do Estado brasileiro.
Críticas ao Inquérito das Fake News e à atuação do Judiciário
Hamilton Mourão reiterou sua crítica ao Inquérito das Fake News, argumentando que a investigação do STF se tornou uma ferramenta com “mil e uma utilidades”, permitindo que qualquer assunto seja incluído. Ele vê isso como um desvio do propósito original da investigação, que seria combater a desinformação.
A inclusão de Romeu Zema no inquérito foi vista pelo senador como um exemplo dessa distorção. Mourão defende que as críticas dirigidas a autoridades públicas devem ser tratadas de forma democrática, com debate de ideias e ações concretas, e não através de medidas judiciais que podem ser interpretadas como perseguição política.
A necessidade de um “pacto nacional” para o futuro do Brasil
O ex-vice-presidente sugere que o país necessita de um novo pacto nacional, que envolva a revisão da Constituição para fortalecer as instituições e garantir a estabilidade democrática. Ele expressa preocupação com o atual cenário político, onde os poderes parecem estar em conflito, prejudicando a governabilidade.
Mourão enfatiza a importância de um debate aberto e transparente sobre o futuro do Brasil, com a participação de todos os setores da sociedade. A revisão constitucional, em sua opinião, seria um passo fundamental para superar os desafios atuais e construir um país mais sólido e justo para as futuras gerações.